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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Adeus, gaiola...

Não me encare dessa maneira
me deixando constrangida
esqueça-me, desapareça
já lhe indiquei uma saída

Por mais que busque explicar
você parece não entender
que necessito de espaço
para em paz poder viver

Gosto de caminhar, de velejar
gosto de ser livre, de sumir
sem ter algemas, chaves
nem destino para seguir

Não me prenda, nem me castre
pois assim você me perderá
aos poucos, como um curió
que da gaiola se libertará.


Claudia Fernandes



19 de dezembro de 2007

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Cegueira abismal

Lá está ela
aqui está ele
conhecem-se pelo olhar
ficam sempre onde sempre estão
e como de raças distintas eles são
vale como lei o famoso clichê
que pessoas diferentes não podem se amalgamar.

Rico, pobre
branco, negro
É um abismo infinito
apartados por uma particularidade
terminam perdendo a oportunidade
de enxergar o belo em cada alma
e que somente o olhar do outro é que cria esse mito.



Claudia Fernandes




12 de dezembro de 2007

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

A outra.

Lá no alto, a lua crescente me espreita
ainda insiste em esperar impaciente
pelo retorno dessa paixão desfeita
desse amor belo e transparente

Assim, com a estrela conversou
e lhe contou toda sua empreitada
como de me aguardar a lua cansou
decidiu então arranjar outra namorada.




Claudia Fernandes





7 de dezembro de 2007

domingo, 2 de dezembro de 2007

Meu universo particular

Minha visão já não parece a mesma
entro numa nova e insana dimensão
meus sentidos começam a se alterar
um universo paralelo entra em ação

Uma força estranha invade e domina
sinto uma leve sensação de liberdade
e a essência guardada no mais íntimo
é enviada intacta a essa tal realidade

Afinal de contas, não é um belo poder
uma reles e vil mortal(assim como eu)
conseguir, de vez em quando, abstrair
a realidade rasteira e atingir o apogeu?

Sinto-me tão bem e só o prazer existe
numa ocasião em que já não há dilema
raro é o que se sente ao amar um anjo
força que transita da suave à extrema

Estando além desse portal, tudo é vivo
bem mais vivo do que desse lado de cá
o belo é mais belo, o amor é mais amor
daquele jeitinho especial fácil de viciar

Eis sem pudores, minha pura confissão
aqui desvelo esse tão precioso segredo
sou viciada nessas sensações alteradas
e a dopamina que já domina meu medo

Quando me verto a esse novo universo
sinto poder em minhas mãos, sou forte
tenho asas prontas para voar, sou livre
voltar da viagem é que é a quase morte.



Claudia Fernandes




2 de dezembro de 2007.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Lapis Philosophorum

Nem um pouco de paixão, nem um tanto de instinto
nem mesmo a doce loucura faz mal a ninguém
perder a cabeça é imprescindível e eu sinto
lindos cupidos felizes e dizendo amém!

Entregue-se aos encantos de uma ardente paixão
e à nobre e pulsante insensatez dos amantes
assim, tentando evitar a castradora razão
liberte-se daquelas algemas de antes.



Claudia Fernandes



29 de novembro de 2007

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Mantenha distância

Será que a distância de quem se gosta
realmente nos traz tanto sofrimento?
Será que não passa nem pelo pensamento
e será tão difícil a simples crença
de que a ausência pode proporcionar
bem mais serenidade que a presença?


Perguntas sempre permeiam a mente
vagas, com uma feição meio criptográfica
respostas por sua vez, e só para contrariar,
costumam ser raras, geralmente simplistas
assim, coloquemos a mente para funcionar,
e esqueçamos essa dialética topográfica
já que talvez a distância seja o melhor lugar
para se estar quando precisamos ser egoístas.



Claudia Fernandes




22 de novembro de 2007

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Aluga-se um sorriso!

Atualmente,
quando sobre os Homens me pego a pensar,
quase sempre percebo em mim
uma sensação que de positiva não tem nada
e que ainda hoje consegue me preocupar.


E como é rara a situação
em que me sinto impelida de verdade a rir,
tive uma idéia de alugar um sorriso,
terceirizar uma boa risada
enfim, parar de mentir.


E então, você, caro amigo,
poderia me fazer um pequeno grande favor?
Você, para ajudar uma alma triste,
poderia sorrir no meu lugar,
e assim confundir riso e dor?



Claudia Fernandes




12 de novembro de 2007.

Abstrato.

O abstrato é o que nem sempre está à vista.
O abstrato é o que quase nunca se propaga através do som.
O abstrato prefere se apresentar inodoro.
O abstrato não se permite deliciar com o paladar.
O abstrato nunca se molda ao tato.
O abstrato não se aprisiona a critérios, a padrões, a regras e dogmas.
O abstrato só existe em outro plano, em outra dimensão.
O abstrato cresce na capacidade de criar.
O abstrato está onde está sua imaginação.
O abstrato tem o poder de libertar.
O abstrato sobrevive porque vive em você um coração.



Claudia Fernandes



12 de novembro de 2007.

Oceano de pétalas...

Observo aqui um caudaloso oceano de pétalas
pétalas belas mas todas idênticas, pelo caminho
então, a forte luz do sol incide em sua formosura
tira-lhes sua máscara, devolve-lhes seu espinho
grita-lhes que essa não é forma de beleza que dura


Destarte, uma pétala não tão igual pára, reflete
cutuca, corajosamente, sua mais profunda chaga
traz à tona um velho, esquecido e oculto tormento
atônita percebe que essa doce ilusão é uma praga
e que o tempo tem grandes semelhanças com o vento.



Claudia Fernandes



14 de novembro de 2007.

Feliz desaniversário!

Na vida, nós somos ao mesmo tempo,
adultos e crianças.

Em alguns momentos, somos maduros, fortes,
vigorosos, belos..
Em outros, inocentes, fracos,
frágeis, singelos.

Na vida, percorremos um caminho a cada dia,
e todo dia diferente.
Você nunca estará onde estava antes,
basta apenas dar um passo a frente.




Claudia Fernandes




12 de novembro de 2007.

Hortênsias

Hortênsias
que belas flores
de cor azul ou rosa
enchem de êxtase os amores
com sua forma sensível e mimosa

Hortências
a pura singeleza
fragilidade sem par
o que aumenta sua beleza
sendo impossível desviar o olhar.


Claudia Fernandes




1 de novembro de 2007.

sábado, 10 de novembro de 2007

Além das eternidades...

Há pouco tempo atrás te conheci
olhei teu rosto, teus olhos castanhos
mas raios que emanavam direto da tua alma
já não me pareciam em nada estranhos

Negava que a novidade se limitava
a um plano carnal, material e terreno
porque algo mais sagrado e que transcendia
mostrava-se claramente antigo e pleno

Naquele dia, ao invadir a tua alma
vi em minha mente misteriosas cenas
percorreu-me uma estranha e louca sensação
e não era como reencontrar alguém apenas

Mas poderia isso me acontecer
se então nunca havia visto o seu rosto
como eu podia sempre prever o que você diria
se nunca antes pude conhecer o seu gosto

A conexão pode parecer surreal
e assustar os pobres incautos como eu
além de não ter como explicar sem soar insano
um fenômeno como esse para alguém ateu

Na época em que ocorreu o fato
para mim foi um susto e uma surpresa
hoje após experiências variadas e canais abertos
consigo enxergar nisso tudo sua rara beleza.


Claudia Fernandes



10 de novembro de 2007

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Essas dores...

Algo em minha cabeça, hoje, estranhamente dói
devagar, de uma forma assaz diferente
assim, uma estranha dor desconstrói
toda aquela crescente paz aparente

Essa tal indesejada dor ri, caçoa, zomba, tripudia
me invade gloriosa, sem pedir permissão
não está interessada se é noite ou dia
somente se já havia alguma escuridão

Como a dor se mostra conscientemente malvada!
parece que ficará até quando for divertido
criou em minha alma uma triste toada
que soava desafinada ao meu ouvido

Mas finalmente, seu reinado cruel por um fio está
acabei de pedir pelo telefone a minha arma
espero um tempo o mensageiro chamar
engoli várias pílulas e segui meu carma

Adeus dor infame, faça uma viagem e desapareça
sua presença se faz altamente dispensável
quero que meu ser de você se esqueça
e que a sua distância seja irretratável

A dor passou e um sentimento de paz me penetra
mas arrepiei inteiramente da cabeça à raiz
Hã... Esta passagem está em meu nome!
Como, se essa viagem era sua, infeliz!

Foi quando percebi que o destino estava a ironizar
aquilo bolado para ela, veio direto para mim
e em vez dessa dor enfim me abandonar
eu que iria de mala e cuia para o fim.



Claudia Fernandes



1 de novembro de 2007

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Eu e o Sol...

Ei, vocês todos estão errados
por que afinal acreditam que não vejo o sol?
só porque adoro a noite e acordo mais tarde
não significa que desconheça o rubro arrebol

É verdade que prefiro a noite
e o contato com a luz sempre me desagrada
mas soa como um grande equívoco acharem
que com o sol estou definitivamente brigada

Nossos encontros acontecem
numa ocasião quase sempre por todos preterida
os outros escolhem em vê-lo cansado, morrendo
eu opto por contemplá-lo quando de sua nascida

Minha relação com esse Deus
só se dá quando a maioria de vocês já descansa
e enquanto rolam entre travesseiros e cobertores
um sol ouro-rubro-róseo renova minha esperança



Claudia Fernandes



18 de outubro de 2007

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Pílula bilíngüe

É sempre muito bom
acordar ouvindo música.
Seja ela qual for...
Aquela canção querida
ou a voz de meu amor

Thinking about you, my baby
Miles away from me
yes, I am sad, maybe
but tomorrow will be another day
soon, you'll come back
and my sky won't seem so gray.


Claudia Fernandes



08 de outubro de 2007

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Chega de Guerras Estúpidas!

Até quando o homem,
esse ser tão fantástico,
inventor do rádio, da televisão,
da linguagem, da morfina
da internet, da civilização
descobridor da penicilina,
da eletricidade, da meditação
explorador da Lua, da Terra,
até quando esse ser dito racional
vai apoiar, fazer e justificar
essa coisa tão estúpida e venal
chamada Guerra?



Claudia Fernandes


1 de outubro de 2007

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Ver no escuro

No escuro, onde a beleza falsa e traiçoeira
hoje tão estereotipada
e produzida artificialmente
não pode mais ser alvo de admiração

um belo pássaro, que conhece a verdadeira
não liga para mais nada
exceto para traduzir o que sente
compondo para ela uma linda canção



Claudia Fernandes




28 de setembro de 2007

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Reaprendendo a viver

Se você se sente triste, deprê
achando que o mundo
não é bonito, está contra você
e pensa que seu buraco já chegou ao fundo

Se nada do que você conhece
faz mais sentido algum
seu corpo nesta vida só padece
e você preferiria ser apenas um ser comum

Olhe para essa pequena flor
olhe sua evidente beleza
ela não demostra nenhuma dor
mesmo com toda fragilidade e delicadeza

Aprenda com o seu sucesso
e suas sábias atitudes:
esquecer defeitos e retrocessos
só lembrar dos progressos e das virtudes

Quando você enfim perceber
que é um ser especial
vai saber como bem se proteger
das armadilhas desse sentimento abismal


Claudia Fernandes


27 de setembro de 2007

domingo, 23 de setembro de 2007

Lá vem o sol... De novo...

E que ele traga
muita energia, vitalidade
e esperança de que amanhã
com mais luz e felicidade
certamente será um dia
com a mesma beleza
mas com mais paz e alegria


O sol deve ser o arauto
que traz a anunciação
de dias bem melhores
de dias com mais gratidão
ele é o senhor da aurora
o anjo que no crepúsculo
joga todas as dores fora


O sol irradia sempre luz
vem de mãos dadas com a manhã
e o amanhã vai se formando
do hoje, irmã, do ontem, anfitrião
sol é sinônimo de novo dia
de novas conquistas, desafios
de encontros e um pouco de utopia...


...para todos nós.



Claudia Fernandes



23 de setembro de 2007

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Sexta-feira

Sexta-feira é dia de noitada
dia de amar
de ser amada
de conversar no bar
dia de ficar animada
de abrir o coração
dia de dar risada
de descolar uma paixão
de abraçar e beijar
dia de libertar a emoção
do abstrato se concretizar
dia de encontrar um amigo
de discordar e brigar
perder a noção do perigo
se arrepender e chorar

Sexta-feira é dia de lazer
dia de tocar e beber
de cantar e dançar
dia de olhar e escolher
de namorar e transar
dia de anoitecer num bar
de ver o dia amanhecer
de tomar banho de mar
dia de morrer e renascer
de dormir e sonhar
dia de com o dia aprender
a ser menos insatisfeito
dia de ao dia agradecer
enfim, o dia perfeito
para se recomeçar a viver.



Claudia Fernandes




21 de setembro de 2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Alma aprisionada

Quanto sofrimento
um ser humano
é capaz de aguentar
depois de bem nascer
com loucura amar
intensamente viver
e com belas fadas aprender a sonhar?

Quanta angústia
por um ser humano
pode ser suportada
se a alma ainda viva
está aprisionada
de forma definitiva
numa moradia destruída e despedaçada?

Quanta esperança
um ser humano
é capaz de conservar
mesmo quando a vida
insiste em lhe abandonar
apontando como saída
a pior e mais difícil decisão a se tomar?

Quantas indagações
assim como estas
um ser humano aflito
poderá enfim responder
sem que surja novo atrito
que então faça crescer
a luta do corpo doente e do livre espírito?


Claudia Fernandes



20 de setembro de 2007

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Aquarelas em flor

Estou sentindo certas coisas
coisas um tanto estranhas
assaz difíceis de confirmar
mas eu vejo, tenho certeza
capto, pressinto, percebo
tanto a feiúra quanto a beleza

Ainda não saberia sustentar
com exatidão o que ocorre
arrepios percorrem a pele
cheiros excitam meu nariz
frio e calor ora se revezam
numa viagem louca mas feliz.

Entretanto, um fato inusitado
traz consigo prós e contras
é contra : quando te julgam
e pensam que você é idiota
e a favor: se você puder ver
uma bela vitória numa derrota

Portanto, a você que me julgar
devo esclarecer o seguinte
enquanto perde seu tempo
com meu pseudo despudor
uso essa loucura viva e real
e assim vejo aquarelas em flor.


Claudia Fernandes




19 de setembro de 2007

domingo, 16 de setembro de 2007

Volátil, o tempo...

A humanidade acredita
que pode comprar tudo
mas está cega
e não vê
que as coisas essenciais
nunca comungam com o ter

Plástica custa dinheiro
carros modernos idem
mas quanto custa
a você
algo tido como precioso
e que lhe dá imenso prazer?

O tempo preenche a vida
e a vida flui junto com ele
mas será possível
convencer
alguém a comprar tempo
para só então fazê-lo crescer?

É óbvio: a resposta é não
o tempo não é acumulado
é uma mera ilusão
querer
aprisionar para sempre algo
livre e que não vai envelhecer


Como você.




Claudia Fernandes




16 de setembro de 2007

sábado, 15 de setembro de 2007

Os dois pólos

Hoje estou tão alegre
com vontade de fazer mil coisas
marco um compromisso
sinto que estou finalmente bem
e fico muito satisfeita com tudo isso

Deito na minha cama
demoro até que consiga relaxar
fantasio nuvens num céu
mas na verdade era eu insone
jazindo neste mui fúnebre mausoléu

Mas enfim amanhece
vejo que não sou mais a mesma
já não estou tão animada
mas melancólica, fria, arredia
sonhando com uma morte anunciada

Até quando isso tudo?
quando acabará meu sofrimento?
não aguento mais o fato
de ser uma certa pessoa hoje
e nem imaginar meu futuro imediato.


Claudia Fernandes



16 de setembro de 2007

O último rincão de pureza

Um amor puro e real existe?
hoje não tenho uma resposta
minha fé, com afinco, insiste
e no sentimento ainda aposta
apesar de bem fraca já estar
procura nas coisas um sinal
mas, enfim, além dos bichos
todo esse amor incondicional
e ausência de fúteis caprichos
onde mais poderei encontrar?


Claudia Fernandes


15 de setembro de 2007

Sombras de dúvida

O sol já nasceu, o dia já começou,
por que estou vendo tudo tão escuro?
Não consigo enxergar o céu, o mar
só as nuvens e um clima obscuro

Pessoas afirmam que são honestas
por que só conheço seu lado impuro?
Tentei, não nego, mudar de opinião
agora estou definitivamente seguro

Pessoas são ótimas quando surdas
não ouvem o que não querem
logo são sempre cordiais
simpáticas e amigas

Pessoas são ótimas quando mudas
não falam o que não devem
e assim aliviam os demais
de mágoas e brigas

Pessoas são ótimas quando cegas
mal e terror não percebem
sonham com imagens ideais
sem dor e intrigas

Durante um longo tempo, busquei
o tal lado bom do ser humano
que tanta gente diz possuir
ou que um dia já conheceu
hoje, com pesar, vejo que falhei
e depois de um estudo mundano
chego a uma triste conclusão
que o cego talvez seja eu.


Claudia Fernandes



15 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Mensagem da noite

E chega a noite, mais uma vez
com silêncio, sombras e aconchego
a ansiedade dá uma trégua, talvez
e depois de longo dia sem sossego
sinto a sua chegada como um evento

Mas hoje ela veio acompanhada
parecia mais triste, melancólica
o céu mais negro, ela mais gelada
utilizava uma linguagem simbólica
entretanto de fácil discernimento

Hoje ela veio com o seu pranto
molhar com lágrimas a seca terra
e assim, através de seu encanto
com toda classe, declarar guerra
aos homens e seu atabalhoamento



Claudia Fernandes


13 de setembro de 2007

Tudo ou nada

Lá, bem ao longe
vejo um horizonte
bem lá na frente
avisto um monte
cruzo uma ponte
enxergo uma fonte
nada tão inusitado
nada tão permanente

Lá, bem ao longe
penso ver a saída
bem lá na frente
pareço perdida
destruo a vida
procuro acolhida
tudo muito profano
tudo muito decadente

Lá, bem ao longe
vejo só desencanto
bem lá na frente
seco meu pranto
xingo meu santo
desvelo meu manto
tudo nada sagrado
tudo nada inocente



Claudia Fernandes



13 de setembro de 2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Luz etílica

Quatro horas da manhã
eu deitada, na cama, ainda sem sono, me indago
um velho cobertor de lã
e um travesseiro antigo entre as pernas eu afago

Assim, tenho pensamentos
que por alguns seriam considerados indecentes
mas em certos momentos
tidos como altamente infantis, puros, inocentes

Mais uma vez, o senhor dia
esse ser iluminado, insiste em demorar a chegar
quando o que eu mais queria
era ter o prazer de, à noitinha, com ele encontrar

Já que esse meu anseio
se mostra completamente impossível de se realizar
decido fazer um passeio
entre a realidade luzidia e a escuridão etílico-lunar.


Claudia Fernandes


10 de setembro de 2007

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Branco, branco

O branco deixa tudo mais claro
torna tudo bem mais visível
aos olhos daquele que vê

O branco ilumina os ambientes
é sempre o símbolo da paz
busca neutralizar a deprê

O branco é a ausência de cores
mas a presença da luz guia
que aponta um caminho

O branco parece com alva neve
mas possui o bendito poder
de acalentar o frio ninho

O branco seria apenas uma cor
se não fosse a única forma
de se revelar o ser oculto

O branco seria apenas uma cor
se não fosse para o escuro
um indesculpável insulto.


Claudia Fernandes



04 de setembro de 2007

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Poema em prosa

Virginiana...

...eu sou desde que nasci.

Num dia 30, dei entrada nesse lado da vida...

...que ainda não conhecia.



Tive muita sorte...

...pois ganhei de presente uma família maravilhosa.

...fiz amigos, não muitos, só os necessários.

...achei o amor de minha vida, que por sua vez, demonstra esse mesmo amor por mim.

...na maioria das vezes, pude cultivar minha personalidade livremente, mesmo que em algumas dessas vezes, acabei por desagradar a alguns.

...adquiri uma companhia amiga, que hoje se tornou indispensável, a música, que me salva, sempre, de uma forma milagrosa.


Fiz besteiras...

...nunca fui ambiciosa o suficiente.

...sempre gostei de me isolar numa solitária ilha.

...talvez não tenha explorado toda a minha formação acadêmica como deveria....desisti de muitas conquistas por medo de ficar longe da família.

...já quis morrer.

...vivi muito tempo sem me dar conta de toda a sorte que tinha.


Estou aprendendo...

...a enxergar com o coração(de verdade).

...a perceber que a felicidade está nas pequenas coisas e depende unicamente do meu estado de espírito, e de mais nada.

...que a morte deve fazer parte da nossa vida, mas sem traumas, sem neuras, por isso, tento encarar esse fato mais naturalmente, mesmo sabendo que, para mim, isto ainda um lento aprendizado será.

...que um fato terrível, como a depressão, pode me fazer crescer e me deixar muito mais consistente e em sintonia com algo muito maior, algo misterioso até, mas só se eu quiser ser ajudada.

...que o amor é o sentimento propulsor para todas as coisas pelas quais valem realmente a pena lutar.


Hoje...

...deixo aflorar minha intuição e criatividade com leveza e com toda a verdade que eu possa ter em meu ser, como se estivesse nua.

...toda a minha criação é como uma terapia, pois me faz retornar para dentro de mim mesma e leva quem porventura entra em contato com ela(a criação)a uma estrada que dá em um lugar que antes era só meu e só eu conhecia, minha alma de poeta.

...tenho a consciência de que existe uma história única e especial para cada um de nós e que cada pessoa deve ter orgulho da sua, não por parecer um lindo sonho, mas pelo simples fato de ser exatamente como ela é, sua.

..ainda consigo me surpreender comigo e com meus extremos. Consigo ir da genialidade(rara, claro) à insanidade completa.



Virginiana...

...até morrer serei.

Um dia deixarei esse lado da vida...

...mas quando, ainda não sei.




Claudia Fernandes



30 de agosto de 2007

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Surto de otimismo

Na minha humilde opinião,
a educação, a gentileza,
a empatia e até a atenção
acabam vencendo a estupidez e a rudeza,
assim como a paz e o amor
lutando devagar, com paciência
mas com coragem e destemor
sempre prevalecerão sobre a triste violência.


Claudia Fernandes



28 de agosto de 2007

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A cor nos teus olhos

Ele passeava distraído pela rua
registrando o mundo através de um filtro frio
com a alma triste e nua
ia cabisbaixo e até melancólico
só conseguia captar tudo cinza e vazio
e nada em sua vida parecia tão belo ou bucólico

Logo quando virou aquela esquina
testemunhou uma vistosa flor vermelha brotar
bem ali, bela e pequenina
e de repente, como num chiste
percebeu que, para quem aprendeu a enxergar,
até no mais puro preto ou branco, alguma cor (r)existe.



Claudia Fernandes



22 de agosto de 2007

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Samsara

Ela, aqui, vive triste e a chorar
Ele, soturno, entregue à solidão
entre eles
um imenso
profundo e negro abismo denso
disposto a, velozmente, silenciar
para sempre toda aquela paixão

Os risos já raros de tanto sofrer
cerraram seus lábios com agonia
de repente
um criador
desmedido, agudo e grave de dor
abre nossos olhos e nos deixa ver
a mais óbvia e intensa melancolia

Eles sabem que nada é definitivo
e que é notória a impermanência
do viver
e assim
até aquele infame e temeroso fim
aparentemente cruel e destrutivo
dá luz a uma renovada existência.



Claudia Fernandes



12 de agosto de 2007

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

À parte do todo

Ele insiste
em ainda conseguir amar o elo
amarelo
que existe
entre o belo amor e o amor belo

Em ceder
à forte e doce paixão do sol pelo ar
solar
e conceber
um lar parecido casa para acasalar.

Claudia Fernandes



10 de agosto de 2007

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Epitáfios a lápis

Ele sentou no cais ao pôr-do-sol
olhou triste para o mar e pensou
como poderia sentir aquilo
vendo aquele lindo arrebol

Só, pôs as mãos no rosto e chorou
percebendo a sua oblíqua verdade
de toda uma vida pregressa
apenas mediocridade restou

O que poderia ele um dia escrever
a respeito de sua tão insípida vida
nada de muito significativo
há em seu entediante viver

Ali, absorto, refletiu por horas a fio
apenas o mar e o céu presenciaram
a lágrima que foi derramada
por cada memória que surgiu

Assim, chegou à extrema conclusão
de que haverá enfim algo a declarar
somente no seu cru epitáfio
na alva lápide de seu caixão

As palavras que certamente usaria:
"Não escreva seu epitáfio de caneta
deixe-o aberto para mudanças
para o livre lápis da sabedoria"


Claudia Fernandes



8 de agosto de 2007

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Medo do mesmo

Sou uma pessoa essencialmente contemplativa.
Vivo pensando, refletindo, enxergando além...
Procurando desculpas para justificar rodeios
Às vezes isso me faz bem,
outras nem tanto.
E um tema que é sempre recorrente em meus devaneios
(espero eu que seja só por enquanto)
é a natural, mas temerosa velhice.
Essa entidade que insiste em me intrigar e me amedrontar,
mas que, sem cerimônia, ali na frente, parece despontar
subliminarmente, discretamente, sem a menor pieguice.

Depois de uma sequência de elucubrações febris
consequência talvez, creio eu, de rara epifania
cheguei a uma conclusão que serviu de terapia
ou mesmo de consolo para meu medo infeliz
A velhice não me apavora pelas rugas que ela traz
nem pela inegável proximidade com a morte
o que me leva a um estado de melancolia voraz
é ter a consciência de que cada dia vivido com lucidez
paradoxalmente, faz diminuir, em quantidade
as chances de experimentar algo novo pela primeira vez.



Claudia Fernandes



7 de agosto de 2007

domingo, 5 de agosto de 2007

Certas incertezas

Essa vida é um caminho
perigosamente traiçoeiro
ela nos guia por estradas
aparentemente seguras
mas que, na realidade,
são exatamente o inverso
podem nos conduzir
a lugares bem aconchegantes
ou até nos ajudar a cair
em gigantescos precipícios
feitas de um asfalto bom
e de qualidade impecável
ou apenas de mil buracos
e um perigo condenável

Essa traição se declara abertamente,
sem dó, a todo momento
Logo quando aflora a crença
de estarmos numa estrada calma
e a alma experimenta a sensação
de relaxamento e paz, enfim
assim, de repente, todos os percalços
parecem ocorrer de vez
tudo de negativo resolve acontecer
ao mesmo tempo e agora
talvez para mostrar que a paz
é essa ilusão impalpável e bela
e que devemos nos acostumar
a viver sem contar muito com ela.



Claudia Fernandes



05 de agosto de 2007

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Dúvida de uma existência

Aqui estou eu transitiva
direta ou indireta
mas de volta, enfim
aqui estou eu bem viva
depois de adubar meu único jardim

Precisei viver um momento
cronológico, existencial
despida de toda fantasia
cheguei a sentir o poder do vento
mas optei pela calmaria da brisa fria

Refleti e busquei sabedoria
bem lá dentro do meu eu
aprendi a viver ainda mais
sem angústia, nem melancolia
sentada, em paz, na beira do cais

Por um desses acasos da vida
agora e mais do que nunca
acordei de um sono paralisante
abdiquei daquela tristeza adunca
e fiz do equilíbrio meu guia dominante

A única dúvida que me resta
(e como é complicada e cruel)
é se acabo com a garrafa de gim
se leio um livro, se fito o céu
ou se me preparo para o fim.


Claudia Fernandes



3 de agosto de 2007.

domingo, 8 de julho de 2007

O milagre da vida

O milagre da vida
faz o vazio ganhar sentido
o incolor feição de colorido
e a tristeza parecer perdida

O milagre da vida
muda sua visão de mundo
o que era raso fica profundo
onde era rua agora é avenida

O milagre da vida
faz do homem um ser imortal
converte o sonho em algo real
e a espera em quente acolhida

O milagre da vida
traz aos lábios um belo sorriso
transforma a terra num paraíso
e o amor na única e viável saída.


Claudia Fernandes



7 de julho de 2007

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Ave, Frida Kahlo!

Mulher brava e consciente
Que encontrou na sua dor
O fundamental ingrediente
Para uma arte plena de cor

Mulher sofrida e resignada
E mesmo com o sofrimento
De estar na cama, mutilada
Deu asas ao seu raro talento

Um dia, conheceu um homem
Charmoso e igualmente pintor
Diego, esse era o seu prenome
Diego, esse foi seu grande amor

Ciúme, mágoa e crises conjugais
Casos de deslealdade, de traição
Fizeram dos desejados esponsais
Uma lembrança da antiga paixão

Nunca se recuperou da despedida
Passava por fases de pura agonia
Com saudade do amor da sua vida
Mas começava a pintar e esquecia

Seus quadros revelavam sua rotina
Seus escritos, a linguagem da alma
Os sonhos e desejos de uma menina
Cuja vida insistia em não ter calma

Com sentimento puro e profundo
Pintava sua dor e sua eterna ferida
Com sua arte, emocionou o mundo
Era única, incomparável, era Frida.



Claudia Fernandes



Em homenagem ao aniversário de Frida Kahlo - 06/07/1907.




6 de julho de 2007

Escrever liberta

Os sobrenomes da liberdade são caneta e papel
(Ela já entrou com uma ação na justiça
para mudar para dedo e teclado,
mas ainda está nos trâmites legais)
e com eles sou capaz de transformar
pensamento em expressão
e fazer público, conhecido
o que nem eu mesma conheço

Assim o ato de escrever
te despe, te expõe,
te revela, te liberta
te deixa vulnerável
para variados olhares
de espanto, de prazer
e de outras naturezas,
e te faz viajar, ser
sonhar, fingir
sem amarras, sem normas
te faz voar, livremente.


Claudia Fernandes



6 de julho de 2007

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Encontro insólito

Hoje eu tive um sonho estranho
Eu não era esse eu atual, jovem
cercada de amigos, necessária
No sonho, estava velha, feia
Triste, abandonada e solitária

Olhei meu rosto no espelho
E com um nó na garganta
Perguntei para o que eu via
Por que tem que ser assim?
Para que tamanha agonia?

Ela tinha um olhar melancólico
E nenhuma resposta soube dar
Mas sussurrou no meu ouvido
Que nada daquilo era tão ruim
E que nem tudo estava perdido

Com um olhar já mais sereno
Disse que eu ainda podia mudar
Aquele triste fim se eu quisesse
Teria que escolher meus amigos
Fazer o bem e evitar o estresse.

Acordei com uma bela sensação
Não queria terminar tão sozinha
E desde então recomecei do zero
Segui o conselho daquela senhora
E que tudo acabe bem, eu espero.



Claudia Fernandes



4 de julho de 2007

Banalmente genial

Os gênios podem ser banais
podem até ser anti-sociais
quando querem
porque quando não querem,
sabem ser geniais

Ignorando a diferença
entre o genial e o banal
Os outros, simples mortais,
preferem o falso comodismo
de serem banalmente iguais.


Claudia Fernandes


4 de julho de 2007

terça-feira, 3 de julho de 2007

Revolução X Bomba

O ser humano enlouqueceu
Esqueceu de admirar o mar
Ignora a beleza de um animal
Só pensa em roubar e matar
Assim a tão famosa evolução
Ainda tem muito o que esperar

Por isso, para mim basta!
O povo está num eterno penar
Abaixo essa política nefasta!
Que só faz oprimir e enganar
Calibrem suas vozes, amigos
Pois agora é a vez de protestar

Às vezes penso se seria a saída uma revolução...
Não sei responder.
Outras vezes, penso se seria uma bomba a solução...
Não quero responder.
Desisto de continuar vivendo assim...
Por favor, *parem o mundo que eu quero descer!


Claudia Fernandes


* Música de Raul Seixas.


3 de julho de 2007

Logo eu...

Logo eu que sempre me achei uma pessoa com uma inteligência razoável...
Logo eu que acreditava que era impossível ser enganada com promessas falsas...
Logo eu que costumava ser desconfiada, mantendo sempre o pé atrás...
Logo eu que afirmava que a direita era podre e que a mudança viria com a esquerda no poder...
Logo eu que sempre tive fé que a educação um dia seria prioridade...
Logo eu que sonhava com menos violência e mais igualdade...
Logo eu que insistia em acreditar...
Logo eu que ainda resistia...
Logo eu que...
Logo eu...



Claudia Fernandes



3 de julho de 2007

As cores da vida

A vida é algo misterioso
ontem trouxe melancolia,
amanhã, trará alegria

A vida é como montanha russa
com seus altos e baixos
e sua fina sincronia

A vida pode ter várias cores
um preto e branco de dia
e à noite, uma policromia

A vida sempre será assim
às vezes parece completa
noutras, padece vazia.


Claudia Fernandes


3 de julho de 2007

A quem interessar possa

Como não possuo o dom de adivinhar
o desejo de todas as pessoas do mundo,
resta-me o prazer de dar aquilo
que tenho de mais concreto e fecundo.

Portanto, deixo aqui algo que, em algum momento
de lucidez ou de loucura, fui capaz de fazer.
Ofereço poesia, fotografia e um pouco de mim,
já que tão pouco tenho a oferecer.


Claudia Fernandes


2 de julho de 2007

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Demônios e Paixões

Sinto
que essa angústia em meu peito parece infinita
Pressinto
que toda a paixão existente agora já é passado

Guardei
a esperança de um dia aplacar essa dor maldita
Aguardei
o fim do sofrimento de um coração amargurado

Sem você
eu sou apenas uma metade
Sem você
não sei se ainda quero viver
Sem você
meu mundo está assaz vazio
Sem você
até o ar parece mais escasso

Sem você
soa falso o que era verdade
Sem você
esse coração começou a doer
Sem você
meu quarto está cinza e frio
Sem você
sinto todo o peso do fracasso


É óbvio
que preciso me livrar de todos esses demônios
Está claro
que a vida deve seguir o seu rotineiro caminho

Tenho medo
de que você desapareça e leve uma parte de mim
Estou certa
de que esse amor me condenou a um já breve fim.



Letra e música:
Claudia Fernandes




1 de julho de 2007

domingo, 1 de julho de 2007

Sempre alerta!

Não acredito em tudo o que eu ouço
Tampouco valorizo tudo o que vejo
A mentira seduz pelos dois ouvidos
A ilusão, pelos olhos cegos de desejo

Abro os olhos para auscultar a farsa
Limpo os ouvidos para ver a intenção
Desconfio, a priori, de tudo e de todos
Pois sempre haverá o risco da traição

Não deixo meus ouvidos e meus olhos
Serem escravos de supostas verdades
Liberto-os das garras do convencional
Mostro-lhes o universo das identidades

Aguço meus sentidos para a dúvida
Sendo a dúvida deveras saudável
Já aquela verdade alheia e imposta
Além de traiçoeira é questionável.


Claudia Fernandes




1 de julho de 2007

sábado, 30 de junho de 2007

Morte às avessas

A morte apareceu em minha frente
Coberta por um véu de luz
Tão viva, tão sorridente

Mas como aquilo podia ser verdade?
A morte ainda estava viva
E bem jovem para a idade

Olhei para ela imóvel, assombrada
Afinal era tão espantoso
Só podia ser uma piada

Mas percebi que tudo ali era real
A luz, o sorriso, o véu
E ainda havia um coral

Indaguei curiosa se era sempre assim
A morte me olhou surpresa
e sussurrou algo em Latim

Tremi de medo quando enfim entendi
Ela encomendou a minha alma
e comprou o que eu nem vendi

Quando concatenei de fato as idéias
Resolvi baixar minha guarda
E aceitar futuras odisseias

Para falar a verdade, fiquei jururu
Não com minha morte em si
Mas com a falta de glamour

Queria sombras, a foice, véu escuro
Aquela voz grave, gutural
Todo aquele clima obscuro

E acabei sendo morta por essa senhora
Tão serelepe e iluminada
Sem graça e fora de hora

Ontem eu caminhava solitária pela rua
Hoje estou morta e frustrada
Mas com moradia fixa na lua.


Claudia Fernandes


30 de junho de 2007

Um cantinho encantado.

Num cantinho qualquer,
guardo coisas simples, sem muito valor
mas que possuem minhas digitais,
minha energia, meu calor

Num cantinho encantado,
me esconderia da vida, da realidade
que me sufoca e que destrói
qualquer sinal de sanidade

Quem me dera eu achasse
esse cantinho especial, com poderes mágicos
que me ajudasse a criar asas
e fugir dos fatos trágicos

A esperança que há tempos já morreu
para as demais situações da vida
insiste em aguardar, moribunda,
por essa que seria a única saída.



Claudia Fernandes.



30 de junho de 2007.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Viagem Marcada

Para você, criatura noturna
um amante da noite, solitário
de paixão extrema, soturna

Indico a rota da noite, do luar
dedico o abrigo das sombras,
o apoio de um olhar similar

Oferto o alívio em meus braços
ofereço o calor do meu sangue,
Cedo meu coração em pedaços

Abro a porta de minha alma
mostro um precioso segredo
deixo-o penetrar com calma

Divido toda a minha energia
para que possa se recuperar
do tempo e da vilã melancolia

E aqui está você, saído do inferno
voando com suas próprias asas
em direção ao descanso eterno.



Claudia Fernandes



29 de junho de 2007

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Fiat Lux!

No meio da noite, uma luz
tentou clarear minhas idéias
buscou dispersar o tormento
e como uma generosa amiga
fez-me enxergar o momento

No meio da noite, uma luz
abriu meus olhos fechados
ajudou-me a seguir em frente
iluminando o longo caminho
levando energia ao ambiente

Hoje aprendi uma boa lição
todos nós temos problemas
uns mais graves, outros não
(como fazer essa classificação?)
e para quase toda questão
há uma equivalente solução

Hoje, com os olhos abertos
e com a inspiração da luz
consegui enfim enxergar
que o escuro é transitório
como a dor é inevitável
o sofrimento é provisório
e só o tempo é implacável.


Claudia Fernandes



25 de junho de 2007

sexta-feira, 22 de junho de 2007

O terceiro lado do triângulo.

Flores
belas, estranhas
inodoras, cheirosas
brancas, coloridas
orquídeas, rosas

Animais
domésticos, silvestres
dóceis, ferozes
bonitos, repugnantes
lentos, velozes

Homens
brancos, negros
cultos, ignorantes
engajados, alienados
corajosos, hesitantes

Flores, homens, animais
aspectos diferentes
mas moradias iguais

Homens, animais e flores
iguais origens
diferentes cores

Animais ajudam as flores
flores ajudam os animais
juntos coabitam pacificamente
e assim vivem, num mar de amores

Só o homem não quer interagir
dessa harmonia entre os seres
pensa só em como matar e destruir
a tudo e a todos, sem dó e a esmo...


...inclusive a ele mesmo.


Claudia Fernandes


22 de junho de 2007

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Verdade perdida

Para amenizar a indignação
procurou por uma flor
Para acalmar a frustração
mentalizou aquela cor

Para provar o mau momento
Não havia um ser original
Para acabar o ar de desalento
o fim de tudo que é artificial

O segredo nessa ausência penosa
É estabelecer certos padrões gerais
é ver o cacto como uma linda rosa
e olhar as flores como sendo reais

Flores bonitas e vivas estão em falta
mas cactos e flores falsas têm de sobra
a escassez aos olhos dos atentos salta
e a busca pela verdade perdida recobra.


Claudia Fernandes



20 de junho de 2007

Crônica de uma revanche anunciada

Para todo excesso, há um limite
às vezes demora de chegar
mas pode estourar como dinamite.

O Brasil é um terreno propício
políticos que só roubam
e o povo jogado no precipício.

Vinte anos, cem anos e nada muda
entra governo, sai governo
ninguém faz, ninguém ajuda.

O povo foi condicionado a não ver
é mais fácil fechar os olhos
e a sagrada esmola receber.

Mas a paciência enfim se esgotou
Basta de descaso, senhores!
A cegueira e a omissão já acabou!

Os olhos do povo estão bem abertos
Chega de só esperar
e só conseguir caminhos incertos.

A passividade criada para ser arsenal
antes tão útil e necessária
será a arma que fará o ataque final.

Não dá mais para o povo suportar
é só corrupção e roubo
educação posta em último lugar.

Hospitais sucateados, desigualdade social
gente com fome, com frio
sem nenhuma esperança ou ideal.

O ultimato já está aqui lançado
ou mudam as prioridades
ou a próxima eleição mostrará o resultado.


Claudia Fernandes



20 de junho de 2007

terça-feira, 19 de junho de 2007

Eternamente, o Tempo

Tempo...
Palavra de ambíguas definições,
de incompletas adjetivações,
de infinito significado.

O Tempo adora brincar de forma dualista,
está sempre presente,
e desaparece de repente, sem deixar pista.

O Tempo é um hábil mestre do disfarce,
sabe ser impiedoso,
mas sabe solucionar um difícil impasse.

O Tempo é algo tão real, vivo, patente,
e ao mesmo tempo,
tão relativo, efêmero, volátil, reticente.

O Tempo às vezes anda calmo, displicente,
dando à vida
a aparência de eterna, lenta, indolente.

O Tempo também pode passar bem veloz,
fazer você dormir jovem,
e acordar velho, arrependido ou sem voz.

O Tempo pode refletir o claro, belo, quente,
e dessa forma,
transmitir uma idéia de alegria e vida latente.

O Tempo ainda pode se mostrar escuro e frio,
e assim,
influenciar num clima deprimente e sombrio.

O Tempo pode ser seu mais fiel companheiro
quando aos 15 anos,
você espera ter 18, e assim ser um beijoqueiro.

O Tempo, por outro lado, pode ser implacável,
quando aos 80 anos,
você se olha no espelho e percebe o inexorável.

O Tempo é assim, incomparável
e dependendo do momento,
pode ser odiado ou bem quisto.

Ele é naturalmente indefinível
e misteriosamente presente
sem nunca ao menos ser visto.


Claudia Fernandes



19 de junho de 2007

Meras questões

Para que tanta fartura?
Para que tanta avareza?
Se há tanta gente dura
E nada de comer na mesa

Para que tanto dinheiro?
Para que tanta ganância?
Se só quem rouba primeiro
pode viver com elegância

Para que tanto ódio?
Para que tanta intolerância?
Se a guerra é só um episódio
da eterna e triste ignorância

Para que tanta pobreza?
Para que tanta fome?
Se riqueza tivesse um nome
este deveria ser natureza

Por que não um justo equilíbrio?
Por que não a tão desejada paz?
Por que alimentar a miséria anos a fio?
Por que incentivar uma guerra ineficaz?


Claudia Fernandes



19 de junho de 2007

sábado, 16 de junho de 2007

Olhos abertos.

A censura, de certa forma, paira no ar
Ignoro, contudo, essa penosa sensação
Pesquisei, visitei, li, comparei, analisei
Mas não cheguei a nenhuma conclusão

Fala-se em repressão a canais de rádio
Até jornal e tevê na mira da tal censura
Comenta-se a omissão em certos países
Como Venezuela, Corea e até Cingapura

Mas nada disso realmente conta ou importa
O que importa mesmo é o cheiro de censura
um cheiro fétido que revolve suas entranhas
e esse gosto amargo, de fel, que só o mal traz

Vade retro, Satanás!



Claudia Fernandes



15 de junho de 2007

Avante...

Ele nem olha para os caminhos sinuosos
que ficaram para trás
Segue a sua meta em linha sempre reta
sem Deus, nem Satanás

Conta somente com uma energia interior
que o carrega para frente
Seu futuro espera ansioso para acontecer
sem ele, o seu único agente


Claudia Fernandes



15 de junho de 2007

sexta-feira, 15 de junho de 2007

A morte da esperança

Durante um longo período
nutri, cultivei e adubei
a bela flor da esperança
lá bem no fundo do peito
achava que haveria jeito

Era crédulo sobre a flor
antes meio fraca, frágil
parecia que já florescia
brava, selvagem e segura
crescia em fé, em altura

Depois de todo sacrifício
de ver algo crescer sadio
observar uma erva daninha
dominar e atacar sem medo
sem cerimônia nem segredo

É, para ele, decepcionante
e aquela esperança em flor
se perde por causa de algo
perpetrado por sentimentos
chulos, glórias e lamentos

Hoje, a flor da esperança
após inúmeros ataques vis
está murcha e quase morta
O homem, se era confiante
tornou-se o vazio andante


Este coitado perdeu toda sua esperança
que morreu, de maneira triste e fatídica
ela deixou o ente sozinho, desamparado
Se a esperança é sempre a última a morrer
O que ele poderá, agora, de eficiente fazer?



Claudia Fernandes



15 de junho de 2007

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Não se iluda...

Por trás da beleza provocante da rosa
sempre existirá um traiçoeiro espinho
que irá se esconder de forma ardilosa
para sangrar o mais inocente dedinho

Então, não se deixe levar pelo fascínio
que no começo parecerá maravilhoso
logo terá manipulado o seu raciocínio
de um jeito autoritário, nada amistoso

Portanto diga não ao espinho que lhe fere
e lute para poder escolher algo de melhor
do qual só a paz e a liberdade você espere
não um desperdício de seu sangue e suor

A censura é falsa e pérfida como o espinho
Engana o mais desatento bobo samaritano
Se esconde por trás de um errante caminho
e de certo mesmo só um incorrigível engano.


Não se iluda...



Claudia Fernandes



14 de junho de 2007

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Rascunhos

Caminhando pelo cemitério daquela cidade
Um túmulo suntuoso me chamou a atenção
Na lápide, foram talhados o nome e a idade
Além de palavras que tocaram meu coração
E se converteram em uma estranha verdade

Aquele epitáfio era majestoso e dizia em Latim:
Escreva sempre a sua história em um rascunho
Nunca redija-a de maneira definitiva no marfim
O segredo é esboçar rabiscos de próprio punho
Assim, ficará sempre livre para modificar o fim

Isso ocorreu há muito tempo, era só um menino
Marcou para sempre minha mente, minha alma
Hoje já sou um velho senhor, persigo meu destino
Mudei meu fim várias vezes com virtude e calma

Porém já não quero mais perseguir essa mudança
Cansei-me de sempre mudar alguma coisa errada
Agora o que desejo mesmo é escapar da cobrança
E assistir ao final da minha vida de arquibancada.


Claudia Fernandes



13 de junho de 2007

Prisão da alma

O corpo, matéria
matéria feita de água
matéria feita de sangue
feita de carne, ossos

O corpo, energia
energia composta de alma
composta de um espírito
composta de vida, luz

O corpo, templo
templo sagrado e profano
pedestal do dote material
base do ser transitório

O corpo, prisão
prisão da alma e do espírito
e só estarão realmente livres
enfim, com a morte.


Claudia Fernandes



13 de julho de 2007

terça-feira, 12 de junho de 2007

Panteão dos infernos

O sol refletiu uma triste cruz
ele fechou os olhos para não ver
na parede a imagem à meia-luz
cena que ele preferia esquecer

Mas a memória é bicho traidor
e todos os dias dessa pobre vida
ele lembra daquela cena de dor
que na sua mente foi esculpida

O garoto caído na rua, morto
sangue jorrando, cor escarlate
o pai velava seu filho, absorto
um cachorro distraído, só late

Ele sempre vai lembrar do dia
em que viu o seu irmão no chão
e de um reflexo da cruz da abadia
cenário de um lastimável panteão

Na sua mente, como numa encenação
ficou aquela imagem da cruz no muro
seu pai ali parado, sem qualquer reação
e o corpo de seu irmão já sem futuro.


Claudia Fernandes




12 de junho de 2007

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Duvidosa aliteração

O amor amornou o frio
O sol soletrou verborragia
A dor adormeceu a força
A cor cortou a monotonia

O par participou da festa
O dia dialogou com a vida
O ser serviu o indivíduo
A morte amorteceu a saída

A fé ferveu a insanidade
A flor floresceu no sertão
O rio riu do humor negro
O bem bendisse a paixão

A cara encarou o trauma
A boca abocanhou o céu
A prece precisou da ação
O colo coloriu a tentação


Claudia Fernandes



11 de junho de 2007

domingo, 10 de junho de 2007

Desconfiança justificada

Terêncio, corre aqui na cozinha, ômi!
Que ocê qué, muié, cum tanta pressa?
É prá ver se ocê num some
E vai correno pro buteco do Zé
Prá ficá lá só no tre-le-lé.

Qué isso, Cremilda, mas que desconjuro!
Como ocê pode sê tão cruel e injusta?
Fiquei prucupado cocê e cos fio, no duro!
Eu tava ino era na venda do Nhô Bento
Prá trabalhar e fiar algum alimento.

Ai, Terêncio, me adesculpe, que balela
Tô sem graça agora, nem sei o que dizê
Vai logo, ômi, que vou esperar na janela
Assim, quando ocê chegar, corro para fazê
O que ocê come até a cuia lambê.

O Terêncio realmente foi à venda do Bento
Não foi fiar comida para sua pobre família
Mas foi, na cara dura, pedir um adiantamento
Tomou um ônibus e o sertão deixou para trás
Para aquela vida não voltaria nunca mais.


Claudia Fernandes



10 de junho de 2007

Quadro irreal

Não pinte um quadro de mim
pelo que eu possa parecer
Erro absoluto

O passado deixou marcas
que tento não transparecer
Falso impoluto

Quando olha para mim
chega a conclusões infecundas
Ação precipitada

Pois tem um olhar superficial
para coisas altamente profundas
Angústia velada

No seu parco julgamento
apenas considera o que tenho
Avaliação vazia

Esquece de perceber a verdade
por não ter o mínimo empenho
Triste apatia

Dessa forma, não consegue ver
que bens materiais não valem nada
Obscura demência

E crê que a real essência
parece meio confusa e embaçada
Pobre impotência

Coisas aparentes ao meu redor
não podem representar o que sou
Leviana confusão

Olhe bem mais no fundo
perceba os sinais que lhe dou
Clara intervenção

Minha alma tem cicatrizes
que ainda permanecem abertas
Perigosa lealdade

Sou muito mais do que tenho
e tento fazer as poses certas
Inquieta insanidade


Claudia Fernandes



10 de junho de 2007

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Triste Prosopopéia

O ventilador, no teto, só chiava
Como se gritando, para que ela ouvisse
A garota que na cama definhava
Absorta, inerte, como se não existisse

O ventilador notou sua incompetência
Seus gritos de nada adiantavam
Ele queria diminuir a dor a e a carência
Que pouco a pouco só aumentavam

Mesmo com toda sua disposição
A garota não conseguiu vencer
Continuou imersa na depressão
Triste, apática, querendo morrer

Coitado daquele amistoso protetor
Depois disso, não mais se recuperou
Gira fraquinho, problemas de motor
E sua antes vigorosa voz, silenciou.


Claudia Fernandes



8 de junho de 2007

Nada está perdido

A chuva lá fora sentencia:
Não há sol, nem calor
Ficou apenas uma tarde fria
De abandono, de torpor

Como poderia adivinhar
Fato tão inusitado
O funeral de um homem solar
Num dia assim cinza e nublado

Que neste mundo que lhe espera
Esteja um dia ensolarado
Assim verá que o que venera
Aguarda-o lá do outro lado

Mas que bela ironia
O homem que gostava de sol
Despediu-se da agonia
E acordou com o arrebol


Claudia Fernandes



8 de junho de 2007

A Última Viagem

Sentado à beira do mar, ele já não esquece
De como viveu bem, e de como foi amado
Olhando fixamente a maré que sobe e desce
Agradece os anos em que na terra tinha estado

Estava agradecido, porém estava infeliz
Descobriu que não viveria como costumava
Sabia que sua saúde estava fraca, por um triz
A quase certeza da imortalidade enfim acabava

A vida sempre insiste em surpreender a todos
Para uma pessoa morrer basta que esteja viva
Ele agora começou a ficar mais conformado
Apostará numa vida alegre, e mais ativa.

Depois que saiu da praia e deixou o mar
Sentiu aquela indescritível tranqüilidade
Chegou em casa, olhou com amor o lar
Deitou, e em paz, partiu para a eternidade


Claudia Fernandes




8 de junho de 2007

Casus Belli?

Chegou até a janela e gritou alto
Um breve apelo à morte
Analisou como poderia ser o salto
Desistiu, precisava de sorte

Sentou naquele sofá rasgado e sujo
Olhou triste para o teto
Recordou de quando era um marujo
Acabou todo aquele afeto

Começou a doer onde era a sua perna
Lembrou de antes da guerra
Era um indivíduo, uma imagem paterna
Hoje, apenas sonhos por terra

Chorou por saber que lutou inutilmente
Mais um herói frustrado
Em uma guerra feita para destruir gente
Outro assassino legalizado



Claudia Fernandes




8 de junho de 2007

Criatura da noite

Sou uma dessas criaturas da noite
não gosto de sol, não gosto de luz
o claro do dia me parece um açoite
o escuro da noite me toma, me seduz.

Sou incompreendido por ser diferente
Por ser de uma forma dita "anormal"
Mas se acho a oposta nada atraente
por que então eu deveria ser igual?

Não procuro o outro satisfazer
Nem tento à maioria me igualar
Só posso assumir meu jeito de ser
Só devo a minha expectativa agradar

De manhã, procuro me esconder
dentro de casa, dentro de mim
como um casulo a me proteger
do brilho e da claridade sem fim.

À noite, sinto uma paz verdadeira
e sei que então sairei sem receio
a escuridão é minha fiel companheira
os caminhos obscuros, meu único meio.


Claudia Fernandes



8 de junho de 2007

quinta-feira, 7 de junho de 2007

O Sorriso da Lua

A lua no alto sorri bem largo
lembra-me logo o gato de Alice
olhou para mim e como um mago
sem pestanejar de lá logo disse:

Depende do lugar aonde quer ir, cherrie!
Como ele sabia o que eu iria perguntar?
Mas não me importava saber aonde ir
queria apenas chegar a algum lugar

Então falou enigmático o sorriso:
Se quer apenas a um ponto chegar
nenhum grande esforço é preciso
Pois isso é lógico que acontecerá.

Olhei novamente para o sorriso-lua
e sorri também, em agradecimento
Em um lapso de tempo, ali na rua
aprendi aquele lindo ensinamento.


Claudia Fernandes


7 de junho de 2007

O Dia D.

A timidez era um traço daquele rapaz
Olhava para ela como se fosse pecado
Contudo esperava que ele fosse capaz
De chegar mais perto, ser mais ousado

Numa noite de maio, ela foi a uma festa
Que bela surpresa, ele também estava lá
Olhares insinuantes, na pista uma seresta
Tensão, e ele evitando na mão dela tocar

Ela se perguntava o que estava ali fazendo
Odiava seresta ou outro ritmo semelhante
O que ela queria viver, não estava vivendo
Mas o caso tinha tudo para ser interessante

Conversaram e durante essa festa, ela intuiu
Ter encontrado sua tão esperada alma gêmea
Eles mostravam muito em comum, ele aduziu
E claro que o macho tinha farejado sua fêmea

O tempo, bem gozador, cada vez mais lento
Brincava e essa espera parecia já se eternizar
Depois de um instante interminável, o vento
Resolveu com uns empurrões o casal ajudar

De repente, ela que estava distraída, sentiu
O calor da mão dele tocando a sua de leve
A boca ficou seca, fez no estômago um frio
A sensação era uma mistura de sol com neve

Finalmente, após o toque das mãos inicial
O fato mais desejado e esperado iria ocorrer
O atrito dos seus lábios pareceu algo surreal
E assim será até o dia em que um deles morrer


Claudia Fernandes



7 de junho de 2007

Liberdade em cena

Ele fez o que sempre quis
Tirou a roupa no seu altar
Entretanto não estava feliz
Queria toda revolta mostrar

Essa nudez não será castigada
Uma vez feita por pura emoção
De repente, um estalo e mais nada
De repente, adeus à tosca razão

Ali, no seu mundinho todo singular
Amarras e controles não mais existem
Só uma sensação que parece libertar
As dores que em seu peito ainda resistem

O que ele sente quando canta
A nada em sua vida se compara
Por ser autêntico, ele encanta
Com loucas viagens, e de cara

Na noite seguinte, volta ao que tem
O velho quarto, as velhas manias
Olha para os lados, pensa em alguém
É hora de praticar as suas fantasias.



Claudia Fernandes




7 de julho de 2007

Dia negro

Naquele dia, o dia amanheceu dormido
como o velho pão que eu nem havia comido
como costuma fazer o cupim com quem divido
este quarto gelado e escuro em que resido

Naquela noite, a noite anoiteceu ligada
como uma vizinha eternamente drogada
como eu acabaria se não estivesse fadada
a viver ali, sozinha, naquela cama, deitada.


Claudia Fernandes



7 de junho de 2007

Brasil, de fato e de direito

Brasil, de fato, um país deslumbrante
tem carnaval, futebol, samba, mulata
muito sol, praia, calor, povo vibrante
e rica fauna dentro de uma densa mata

Brasil, de direito, um país sem precedente
políticos impunes a roubar sem pudor
enquanto a educação continua decadente
e a saúde jaz, moribunda, criando bolor

Brasil, terra do orgulho por um lado
é a terra da vergonha pelo oposto
até quando será o mais praticado
logo aquele que dá mais desgosto?

A situação é assaz insuportável
uma solução para isto é urgente
não dá para ser mais amigável
só algo radical parece condizente.



Claudia Fernandes



7 de junho de 2007

Acorda, gente estúpida!

Acorda, gente estúpida,
não vê que não adianta
ter uma alma tão insípida
que à Terra desencanta

Basta, população inútil,
de matar sem dó outro ser
em nome de uma moda fútil
ou por um simples prazer

Chega, raça arrogante,
de deixar Gaia nervosa
vendo que a raça pensante
pode ser muito perigosa

Pense, povo imbecil,
tão ávido de luxo e poder
a relação será sempre servil?
a vida nunca há de perecer?

Saiba, Sua Excelência,
os animais só se subordinam
sofrendo assim séria violência
porque a língua não dominam.

Mas se eles pudessem falar
com toda sua inteligência
mostrariam quem é superior
no momento de argumentar
sem nenhuma divergência
sobre amizade, honra e valor.


Claudia Fernandes



7 de junho de 2007

quarta-feira, 6 de junho de 2007

A Fonte

A fonte era farta, generosa, abundante,
para todos aqueles que a ela recorriam
e assim servia de amparo constante
entretanto nada em troca eles traziam

A surpresa foi grande quando num belo dia
ele se aproximou da fonte e percebeu
um fato inesperado, que lhe tirou a alegria
a fonte estava lá mas nenhuma água bebeu

E se perguntou o que teria acontecido
o dia anterior tanta água por lá corria
voltou para casa com o coração partido
sem ao menos perceber sua co-autoria

Aquela fonte farta e abundante de outrora
hoje está seca, esgotou-se, não mais existe
por servir apenas pela água limpa, agora
já não importa mais, e ele, enfim, desiste.


Claudia Fernandes




6 de julho de 2007

terça-feira, 5 de junho de 2007

O Homem-Vírus

O que um besouro difere do Homem racional?
Ambos são seres da natureza, animais
Ambos terão que saber lidar com a sorte
Mas o Homem possui características virais
Pensa que pode manipular até a morte

Inconsequentemente, brinca de Deus
E se considera um ser superior
Onde chega promove caos e extinção
Não percebe que a preservação não é um favor
Não compreende que ele sofrerá com a destruição

É típico encontrar algumas ações arrogantes
Diante de um besouro o homem se sente forte
Acha que nele pode pisar sem dó nem pena
E ignora que um dia ele deverá ter sorte
Para não ser o próximo pisado em cena

O Universo está sendo rapidamente dizimado
Milagres não ocorrem e os danos vão além
É necessário uma percepção sensível e geral
Uma visão voltada para o holos, para o bem
E só o Homem pode adiar esse trágico final.



Você faz a sua parte para adiar o fim?


Claudia Fernandes



5 de Junho - Dia Internacional do Meio Ambiente




5 de junho de 2007

Deus ex machina

Apenas gritos, raiva, aflição
Nunca terminará esse inferno
Seus parentes jamais se entenderão
A vida será sempre esse caos eterno

Na sua própria casa, vive sozinho
Não ouve música, nem dorme mais
Sente-se como um estranho no ninho
Inserido num mundo que só mal lhe traz

Tem dores de cabeça malditas
Precisa de silêncio, de sono noturno
Na sala, brigas patéticas e infinitas
No quarto, só um pensamento soturno

Será que nunca terá paz de espírito?
Nunca colocará a cabeça no travesseiro?
Um dia respirará aliviado e não mais aflito?
Um dia poderá viver livre e por inteiro?


Claudia Fernandes




5 de junho de 2007

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Vivo ou Morto?

Hoje, ele estava com uma dúvida
Ele não sabia para onde ir
Não queria ficar em casa
Só precisava dali sair
Ah, como queria ter asa
Para então voar e fugir

Resolveu sair assim mesmo
Enfiou a chave na fechadura,
Girou, abriu a porta e partiu sem destino
E mesmo sem ter uma elegante postura
Fez pose com o chapéu como um grã-fino
Esquecendo de toda a sua amargura

Ele parou no hall da entrada
A dúvida ainda lá permanecia
Seguir em frente, à direita ou à esquerda?
Enquanto pensava, a confusão crescia
Ponderou qual o ganho, qual a perda
O que aconteceria nesse estranho dia?

Ele precisava ir para algum lugar
Sentia essa enorme necessidade
Ficar em casa seria um tormento
Mas de onde vinha tanta ansiedade?
Qual era o seu maior alimento?
Como resolver tal incapacidade?

Apesar de pensar bastante
Ele não encontrou algum motivo
Para tanta dúvida e confusão
E viu que apesar de estar vivo
Vivia cercado de vazio e aflição
E desses sentimentos acabou cativo

Ele parou, respirou e olhou para o céu
Admirou a beleza de um lindo broto
Sentiu a ebulição de seus hormônios
Abriu a porta com um sorriso maroto
Voltou para casa, para seus demônios
Pode não estar vivo, mas não está morto.


Claudia Fernandes




04 de junho de 2007

Múltiplas Realidades

Você garante que o que você vê é a realidade?
E o que o outro vê é diferente do que você vê?
A sua realidade é mais real do que a do outro?
Ou exatamente o oposto é o que deve ser?

Muitas questões aparentemente sem respostas
São esclarecidas se você deixar abrir sua mente
Um objeto pode estar em dois diferentes lugares
Mas não se preocupe se ainda estiver descrente

A observação mostra que as realidades são infinitas
O que vejo pode não ser o que você vê, e vice versa
As possibilidades da realidade se colapsam em uma só
Que será a sua aparente realidade e dos outros diversa

Ou seja, dessa grande variedade de realidades possíveis
Cada pessoa escolhe apenas uma e assim a materializa
Tornando-a sua realidade pessoal, defectível e única
E dessa forma, apaga as outras pois não as realiza

Se a realidade não é concreta em sua plenitude
E não é algo fácil de ser explicado e comprovado
Então o real deve ser vivido de forma particular
Pois no fim, esse jogo sempre terminará empatado



Claudia Fernandes




4 de junho de 2007

domingo, 3 de junho de 2007

O Tempo é Seu

Hoje você acorda, e de verdade
Pensa como seria bom aqui ficar
Ah, Deus, mas que enorme maldade!
Essa obrigação de estudar e trabalhar
Sem uma mínima espontaneidade

Olha o relógio, e se dá conta da hora
Reclama com o tempo e com tudo ao redor
E quanto mais você reclama, logo piora
A sensação de ter que fazer algo dito melhor
Mas que na sua alma desse jeito não aflora

Olha o relógio de novo, e por uma eternidade
Pensa em si e no dever, analisa essa identidade
Quase perdendo o sono, reflete sobre o problema
Depois de algum tempo, com toda a honestidade
Conclui ser um exemplo de um complicado dilema

Dever levantar, sair, trabalhar, estudar e viver
Querer ficar, deitar, dormir, sonhar e sobreviver
Alguma resposta seria mais sensata e eficaz?
Certamente que não, por isso ele, sem volver
Desligou o relógio, fechou os olhos e dormiu em paz...



Claudia Fernandes



4 de junho de 2007

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Carpe Diem

O sol brilhou
E ele não notou
A criança sorriu
E ele não viu

O pássaro cantou
E ele cochilou
A estrela luziu
E ele dormiu

Ele negligenciou a vida,
o tempo, a natureza,
as coisas boas e belas
Pensou que viveria eternamente
dentro de uma perfeita aquarela

Mas o vento soprou implacável
E ele, sem força, voou
para bem longe
por um caminho sem saída,
sem beleza nem doçura

Mas o tempo passou inexorável
E ele, inerte, ficou
para sempre
olhando o que sobrou da vida,
com tristeza e amargura

E nesse momento de inércia
Ele pensou, pensou
E percebeu que muitas coisas ele nem conhecia
Até voltar atrás ele tentou
Até um acordo com o diabo ele faria

Porém para seu triste azar
algo mais que previsível aconteceu
No seu enterro nem flores, nem parentes
nem pássaros havia por lá
No seu enterro, somente a chuva apareceu




Claudia Fernandes






01 de junho de 2007

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Meu amigo Zé

Zé não pára de correr
Zé não pára nem para almoçar
Zé quer ser alguém
Zé quer chegar a algum lugar

Mas, Zé, amigão, mais calma
Aproveite a vida enquanto pode
Não venda antes do tempo a sua alma
Curta a saúde antes que dê bode

Pressa é só para atrasar a vida
Competição demais destrói a paz
Ambição acaba com a saúde
Preciso dizer algo mais?

Dou a minha palavra, meu amigo
Que a vida não tem nenhum mistério
Correndo você só vai chegar mais rápido
A um belo de um cemitério


Claudia Fernandes



31 de maio de 2007

Sombra

Sombra minha, indiferente
Pensas que me dominas
Teimas em me acompanhar
E só por estar sempre lá
Arvoras-te o poder de me reinventar

Sombra, muitas vezes insolente
Acreditas ser uma versão de "mim"
Tentas reproduzir a minha imagem
Porém, não percebes a incongruência
De seres o que nem eu tenho coragem

Sombra, acordes agora
Não preciso mais de tua companhia
Está na hora de seguir teu caminho
Desejo que ao contrário do meu
O teu seja quase sem espinho

Sombra, podes ir embora
Aceites, não me farás falta alguma
Tua sombria presença me incomoda
E o peso da minha própria existência
Já põe no meu pescoço uma mui pesada corda.



Claudia Fernandes


30 de maio de 2007

Foco na medida certa...

Há momentos em que você
se esforça para ser
focado
se esforça para aparecer
exibido
se esforça para parecer
evoluído
se esforça para estar
em primeiro plano

Há momentos em que você
percebe que está sendo
desprezado
percebe que está sendo
esquecido
percebe que foi
substituído
percebe que ocorrerá
um provável dano

Portanto,
diante do fracasso iminente
seja você, em qualquer plano
seja você, seja o agente
seja você, louco, profano
não queira apenas parecer ser
nem queira aparecer demais
a recompensa virá, pode crer
mas agora com valores reais



Claudia Fernandes



24 de maio de 2007

ON/ OFF

A angústia tem o dom de fazer crer
que tudo é preto e branco, bicolor
Nenhum colorido é percebido
durante esse estranho pavor
Nenhuma alegria se intromete
por covardia ou precaução
nessa celeuma de horror
Nenhuma vida é realmente vida
quando só há tristeza, lamento e dor.

Mas de manhã, ele nasce, o sol
gritando para todo mundo ouvir
Que a vida é bela e muito querida
e que o segredo é aprender a sorrir
Na leveza da aurora
ou no calor do arrebol
traz cor, luz, energia, vida
Mostrando que sempre há esperança
Para quem a vida já estava perdida.



Claudia Fernandes



22 de maio de 2007

Luz e Sombra

A ansiedade bate à janela
E também um pássaro grená
Ela vende a aflição como bela
Ele, tenta chamar a atenção dela
Para a armadilha na qual cairá

Como são fortes e sedutores
A astuta ansiedade e o pássaro fiel
Uma traz a amargura, o outro, o mel
E ao cair da noite e da escuridão
A dúvida paira no ar, no coração

Na sala, sua família vê televisão
Ela está só no quarto escuro e gelado
A porta trancada só aumenta a solidão
Um cheiro de mofo, de sujo, de usado
Tudo isso ajuda na tomada da decisão

Na sala, o cão, assustado, late
O vento - zumbido insano
O desespero bate à porta
Como num ritual profano
No quarto, ela, fria, jaz morta.


Claudia Fernandes




15 de maio de 2007

Flor de Murta

Uma pequenina flor
como tantas na natureza
mas de enebriante olor
e de surpreendente beleza.

Será impressão minha
Ou realmente já ouvira
Algo parecido como:
De onde menos se espera é de onde mais se tira.


Claudia Fernandes


11 de maio de 2007

Tudo depende do ponto de vista

Dependendo do ponto de vista, você pode ser grosso ou delicado
Dependendo do ponto de vista, você pode ser sério ou engraçado
Dependendo do ponto de vista, você pode ser pardo ou amarelo
Dependendo do ponto de vista, você pode ser feio ou belo
Dependendo do ponto de vista, você pode ser querido ou odiado
Dependendo do ponto de vista, você pode ser macho ou viado
Dependendo do ponto de vista, você pode ser inteligente ou estúpido
Dependendo do ponto de vista, você pode ser louco ou lúcido
Dependendo do ponto de vista, você pode ser honesto ou ladrão
Dependendo do ponto de vista, você pode ser empregado ou patrão
Dependendo do ponto de vista, você pode ser tudo e não ser nada
Dependendo do ponto de vista, você pode ser uma grande piada
Sem graça...

Portanto, libere-se dessa prisão sendo exatamente quem você é...

Você.



Claudia Fernandes



26 de abril de 2007

Quinta-carmim

Hoje é quinta-feira
Começo a sentir a animação
A coragem que desejo
E a loucura que brota em mim.

Uma loucura brejeira
Sem qualquer pretensão
Algo que desperte um beijo:
Lábios cor de carmim.

Carmim é um vermelho
Vermelho lembra paixão
Paixão encontro na música
A música - tábua de salvação.


Claudia Fernandes



25 de abril de 2007

Você é perfeito diante de qualquer coisa

Diante da maldade, inocência
Diante do poder, decência
Diante da dor, paciência
Diante de você, a minha carência

Diante da carência, atenção
Diante do pudor, vazão
Diante do problema, compreensão
Diante de você, a minha paixão

Diante da paixão, reciprocidade
Diante da solidão, amizade
Diante da falta, saudade
Diante de você, a minha eternidade

Diante da eternidade, calma
Diante da dúvida, crença
Diante da inveja, indiferença
Diante de você, a minha alma

Diante da beleza, o tremor,
Diante do frio, o calor,
Diante da injustiça, o clamor
Diante de você, o meu amor..

Claudia Fernandes


Para o meu amor eterno, Júnior...


“One word frees us all the weight and pain of life. That word is Love.” Sófocles



25 de abril de 2007

Sinta a magia

As aparências enganam
É o que sempre estão a dizer
Mas por que deixar se enganar?
Se só depende de você.

Abra os olhos e o coração
E não queira apenas ver
Sinta com toda a emoção
Tente a magia perceber.

E dessa forma
Um outro mundo surgirá
Sem limite, sem norma
Uma nova visão lhe dará.


Quando acontecer afinal
Aproveite e mergulhe nesse mar
Seu crescimento será surreal
E dessa você mais forte sairá.


Claudia Fernandes



22 de abril de 2007

Andei me perguntando...

Andei me perguntando
Ser profundo para quê?
Se ser raso é sempre mais fácil
E as pessoas não parecem
A Sutileza entender

Andei me perguntando
Ser natural a pena valerá?
Se o que há é um culto ao artificial
E as pessoas parecem
Da Simplicidade abdicar

Andei me perguntando
Ser poético para quê?
Se ser prosaico é mais ágil
E as pessoas não parecem
A Magia perceber

Andei me perguntando
Ser delicado algum valor terá?
Quando ser duro é mais admirável
E as pessoas até parecem
Da Aspereza gostar

Andei me perguntando
Ser sincero para quê?
Se ser falso dá menos trabalho
E as pessoas parecem
Da Mentira depender

Andei me perguntando
Buscar o abstrato algum valor terá?
Quando o concreto é mais palpável
E as pessoas apenas parecem
Do Material precisar

As pessoas andam absortas
Numa estranha superficialidade
Só as aparências importam
Numa ode insana à vaidade

Apenas a embalagem tem valor
O conteúdo é mais um detalhe
Ler cansa, não interessa
“Preciso correr, tenho pressa!”

E por esse motivo, sem saber
Perdem o melhor da vida:
Uma viagem maravilhosa
Mais conhecida como Ser



Claudia Fernandes


18 de abril de 2007

Egotrip

Eu
sou
apenas
Eu?

Eu
sou
Eu
e mais ninguém?


Dúvida que vai além...


Eu
não sei
quem eu sou

Eu
não sei
de onde vim..


Confusão sem fim...


Eu
não sei
para onde eu vou

Eu
não sei
o que farei no final


Cegueira total...


Porém, mesmo assim
algo eu acho que sei
que anjos existem em mim
sei que logo morrerei

Sei que gosto de rapazes
que exerço o papel fraterno
sei que momentos felizes são fugazes
Só o amor, esse sim, é eterno.

Sei que não sou só um
sei que vim de alguém
caminho, aparecerá algum
e tarefa: sempre fazer o bem...

Mas pode ser
que eu
como não sei, na verdade,
de nada,
depois dessa análise,
tenha, de mim
uma impressão
completamente equivocada.

“Ser ou não ser, eis a questão..” Ou não...

Claudia Fernandes


13 de abril de 2007

Olhe

Olhe para nós
Olhe com mais atenção e jeito
Perceba como somos tão belas
Mas também temos algum defeito.

Mas quem foi que disse
(creio que com alguma intenção)
Que beleza tem sempre que estar
Associada à perfeição?

Há beleza em muitos lugares
Em muitas formas até
A beleza está na diferença
De cor, de raça, de idade, de axé

Abra os olhos e saiba
Reconhecer as verdadeiras belezas que há
Sempre no plural
E nunca apenas no singular

E poderá enfim
Após aprender a intuir
Dizer que o belo não é o que se impõe
Mas o que se faz sentir.


Claudia Fernandes


12 de abril de 2007

Tempo de viver

Esta é uma fase boa
De sentimentos positivos e reais
Como há muito tempo não sentia
E torcendo para que demore mais
Essa atmosfera de alegria

Mas hoje a nostalgia bateu
Não foi tristeza, nem falta de ideais
Foi só pensando num tempo que já passou
Que inevitavelmente não volta mais
Porém dentro da memória para sempre ficou

Um tempo de anjos, arcanjos
Amor, blues, feeling, paixão
Um tempo de esperança, de sintonia
Tempo em que pensar em você era emoção
E a sua presença, mesmo distante, era anistia

Para a sombra, o frio, a pena
Para a dor, o sofrimento, a solidão
Para a inquietude, o tormento, a ansiedade
Para a tristeza, o tempo, a escuridão
Para a incerteza, o medo e a saudade


A solidão não me traz mais ansiedade
Nem sofro mais com tanta dor
E o tempo, esse agora me protege da insanidade
Assim vou levando a vida vendo mais amor

As sombras me deram a noção da luz.
A escuridão me fez enxergar seu brilho.
Percebi o quão delicadamente ela me seduz.
E como passou a iluminar o caminho deste andarilho.


Claudia Fernandes ®


9 de abril de 2007

E o pó responde...

Aqui dentro, o tempo passa devagar
Estamos seguros
Dentro de um andor
Que insiste em nos salvar
Dos prazeres ditos impuros
E nos tornar imunes à dor.

Lá fora, as horas teimam em voar
Estamos vivos
Numa realidade cheia de cor
Que prefere nos empurrar
Para um mundo mais ativo
Com luz e com mais amor.


Vivo olhando pela janela, só...
Imaginando qual o melhor lugar


Se na segurança do abrigo
Sem luz, sem emoção
Ou na liberdade do perigo
Sem teto, nem chão.


Daqui de dentro, olho para fora e vejo o pó.
O pó que teima em me acompanhar


O pó que me persegue dia e noite.
Talvez só ele possa me ajudar
Com essa dúvida que é como um açoite
E sempre ressurge para me angustiar.


Claudia Fernandes ®



Poema inspirado no livro Ask the Dust do John Fante.




24 de março de 2007

Amor Vampiro

Beleza.
Fascínio.
Medo.
Sedução.
Erotismo.
Paixão.
Loucura.
Desejo.
Dor.
Sangue.
Vida.
Morte.
Vida.


Claudia Fernandes



6 de março de 2007

Poeminha pessimista

Você pensa que as coisas vão melhorar?
Você pensa que vai ficar rico?
Você pensa que vai ficar bonito para sempre?
Você pensa que amanhã tudo será mais fácil?

Então tá bom..

Sente e espere..


Claudia Fernandes


6 de dezembro de 2006

Cegueira temporária

O medo parou na sua frente
Ela, estática, entorpecida
Com a sua repugnância
Ali ficou, reticente...

Pensou em recuar, em fugir
Seria, certamente, a melhor opção
Mas algo lá dentro dela gritou
Para não temer, não desistir...

Siga, siga em frente
Porque a fé empurra e alenta
Sempre vá na direção
Em que o seu medo aumenta.


E ela seguiu.



Claudia Fernandes


6 de dezembro de 2006

Se

Se você diz que errou por amar demais
e acaba chamando a quem ama de erro..

Se você diz que, por não saber se poderá amar amanhã,
prefere desistir de amar agora...

Se você diz que o outro nunca iria abandonar tudo por você
e acaba fugindo sem lutar...

Se você diz que seu amor só te quer a distância,
e com isso só se distancia ainda mais..

Se você diz que ama loucamente,
mas abandona...


Só resta uma coisa a ser dita com alguma sensatez:


Você perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado.



Claudia Fernandes



7 de setembro de 2006

Ah... Que vontade que eu tenho..

Que vontade que eu tenho
De morar no interior..
Onde as pessoas se conhecem
Onde se vive com tranqüilidade
À noite, no céu, estrelas é o que se vêem
E onde ainda se mantém a simplicidade

Que vontade que eu tenho
De morar no interior..
Onde a vida passa devagar
Onde as pessoas não se apressam
Ao raiar o dia, pássaros estão a cantar
E onde os amores cuidam, não se estressam

Que vontade que eu tenho
De morar no interior..
Onde o tempo não significa sufoco
Onde a saudade se mata num aceno
Onde a solidão se acaba com tão pouco
Onde a morte sempre chega num dia sereno

Que vontade que eu tenho
De morar no interior..
Porque a vida é mais gostosa
E eu já me cansei de Capital
Porque o tempo é amigo
E não corre sempre atrás de mim
Porque a solidão é rara
E não quero mais ficar só
E porque o amor não é um perigo
E chega de correr riscos, enfim..

Ah... Que vontade que eu tenho
De morar no interior...


Claudia Fernandes


5 de setembro de 2006

A Lua, o Circo e o Futuro

Lá ao longe, vejo uma lua brilhando
Lá ao longe, vejo um circo iluminado
Lá ao longe, vejo o futuro chamando
Lá ao longe, vejo o fim bem determinado.

E o palhaço, onde será que está?
O palhaço que ri e é feliz de noite
E chora e é triste de dia...
Deve estar escondido em algum lugar
Pensando se encara
Mais uma vez sua fantasia.


Claudia Fernandes



24 de agosto de 2006

Uma Luz no Caminho

Com quem necessita, generoso
Sensível no sorrir
Nas atitudes, carinhoso
Gentil na forma de agir

Nas suas opiniões, austero
Inteligente no conversar
Nas palavras, sincero
Rígido, quando precisar

Mas sabe pedir desculpas
Nas Letras se amarra
Amigo nos piores momentos
Jamais força uma barra

Um ser humano que destoa
Por ser assim tão admirável
Uma luz no caminho de qualquer pessoa...
Anjo com uma missão nada palpável

Claudia Fernandes


21 de agosto de 2006

The Pendulum...

O Pêndulo da vida nunca pára..
Balança, balança, balança...
E se um dia, subitamente, ele parar...
É porque vivo você não mais está...

Claudia Fernandes


7 de agosto de 2006

Um anjo


Um anjo apareceu de repente
Quando estava perdida
Aparentemente só
Ajudou-me a levantar
Com sua mão
Não com dó
Mas com delicada vontade de ajudar.

E assim o fez
Lembrou-me do passado
De histórias boas
Suavemente
E de um tempo que não volta mais
Que ficou para trás
Irreversivelmente.

Porém me mostrou
Com seu jeito angelical
Que o presente tem seu charme, sua razão
E que eu tentasse enxergá-lo
Não de uma forma banal
Mas com os olhos de quem vê a luz na escuridão.

E tudo isso o anjo conseguiu
Exatamente em algumas horas
Mudanças internas, tênues sim
Mas firmes e realmente eficazes
E antes mesmo de chegar a aurora
Deixou um rastro de alegria em mim.

E de repente, da mesma forma que chegou
Bateu as asas e voou
Durante alguns dias
Bem longe de mim ficou
Deixou um vazio assim
Meio triste, meio frágil
Meio com jeito de fim.

Anjo que veio do passado
Esteja sempre no presente
Trazendo força em certa dosagem
Para uma alma perdida e carente
De fé, paixão, paz e coragem
E que mesmo com dor assaz
Mantém-se na batalha
De pé, com esperança, ainda que fugaz.

Claudia Fernandes


12 de junho de 2006

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Sometimes

Sometimes I think there is no hope.
Sometimes I think everything is lost.
Sometimes I think life doesn't worth.
Sometimes I think there is no reason to smile.

Sadness is always observing me.
Maybe sometimes I feel it is stronger than me.
But it is not.
And many things show it all the time...

But in fact, tomorrow will be another day.
And I must be ready for living.

I can see the wonder of a sunlight.
The beauty of a sunrise.
The blossom of a flower.
The feeling of a real love.
The security of a friend shoulder.

And I can think:
Yes, I am living and I have to live as good as it gets.
So I can realize this life does worth at all..

When I finally ask myself :
Is there a hope anyway?

The only and possible answer is:
Yes, there is a hope.
And it is around me.

The only thing I must do is open my eyes and see it.

Do you agree?



Claudia Fernandes



24 de janeiro de 2006

Amanhã, não sei..

Nunca fumei maconha, amanhã não sei.
Hoje bebo por prazer, amanhã não sei.
Nunca viajei para o Oriente, amanhã não sei.
Hoje durmo tarde, amanhã não sei.
Nunca falei esperanto, amanhã não sei.
Hoje acordo tarde, amanhã não sei.
Nunca tomei chá de cogumelo, amanhã não sei.
Hoje choro à-toa, amanhã não sei.
Nunca cantei em público, amanhã não sei.
Hoje odeio calor, amanhã não sei.
Nunca tive um filho, amanhã não sei.
Hoje desisti da advocacia, amanhã não sei.
Nunca tentei o suicídio, amanhã não sei.
Hoje estou feliz, amanhã não sei.
Nunca namorei uma mulher, amanhã não sei.
Hoje estou viva, amanhã não sei.
Nunca mudei radicalmente o rumo de minha vida, amanhã, não sei.


Enfim, amanhã, definitivamente, será um outro dia.
E tudo, absolutamente, poderá acontecer.
O segredo é deixar a mente, a alma e o coração abertos...

E só.


Claudia Fernandes


29 de agosto de 2005

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