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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

domingo, 8 de julho de 2007

O milagre da vida

O milagre da vida
faz o vazio ganhar sentido
o incolor feição de colorido
e a tristeza parecer perdida

O milagre da vida
muda sua visão de mundo
o que era raso fica profundo
onde era rua agora é avenida

O milagre da vida
faz do homem um ser imortal
converte o sonho em algo real
e a espera em quente acolhida

O milagre da vida
traz aos lábios um belo sorriso
transforma a terra num paraíso
e o amor na única e viável saída.


Claudia Fernandes



7 de julho de 2007

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Ave, Frida Kahlo!

Mulher brava e consciente
Que encontrou na sua dor
O fundamental ingrediente
Para uma arte plena de cor

Mulher sofrida e resignada
E mesmo com o sofrimento
De estar na cama, mutilada
Deu asas ao seu raro talento

Um dia, conheceu um homem
Charmoso e igualmente pintor
Diego, esse era o seu prenome
Diego, esse foi seu grande amor

Ciúme, mágoa e crises conjugais
Casos de deslealdade, de traição
Fizeram dos desejados esponsais
Uma lembrança da antiga paixão

Nunca se recuperou da despedida
Passava por fases de pura agonia
Com saudade do amor da sua vida
Mas começava a pintar e esquecia

Seus quadros revelavam sua rotina
Seus escritos, a linguagem da alma
Os sonhos e desejos de uma menina
Cuja vida insistia em não ter calma

Com sentimento puro e profundo
Pintava sua dor e sua eterna ferida
Com sua arte, emocionou o mundo
Era única, incomparável, era Frida.



Claudia Fernandes



Em homenagem ao aniversário de Frida Kahlo - 06/07/1907.




6 de julho de 2007

Escrever liberta

Os sobrenomes da liberdade são caneta e papel
(Ela já entrou com uma ação na justiça
para mudar para dedo e teclado,
mas ainda está nos trâmites legais)
e com eles sou capaz de transformar
pensamento em expressão
e fazer público, conhecido
o que nem eu mesma conheço

Assim o ato de escrever
te despe, te expõe,
te revela, te liberta
te deixa vulnerável
para variados olhares
de espanto, de prazer
e de outras naturezas,
e te faz viajar, ser
sonhar, fingir
sem amarras, sem normas
te faz voar, livremente.


Claudia Fernandes



6 de julho de 2007

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Encontro insólito

Hoje eu tive um sonho estranho
Eu não era esse eu atual, jovem
cercada de amigos, necessária
No sonho, estava velha, feia
Triste, abandonada e solitária

Olhei meu rosto no espelho
E com um nó na garganta
Perguntei para o que eu via
Por que tem que ser assim?
Para que tamanha agonia?

Ela tinha um olhar melancólico
E nenhuma resposta soube dar
Mas sussurrou no meu ouvido
Que nada daquilo era tão ruim
E que nem tudo estava perdido

Com um olhar já mais sereno
Disse que eu ainda podia mudar
Aquele triste fim se eu quisesse
Teria que escolher meus amigos
Fazer o bem e evitar o estresse.

Acordei com uma bela sensação
Não queria terminar tão sozinha
E desde então recomecei do zero
Segui o conselho daquela senhora
E que tudo acabe bem, eu espero.



Claudia Fernandes



4 de julho de 2007

Banalmente genial

Os gênios podem ser banais
podem até ser anti-sociais
quando querem
porque quando não querem,
sabem ser geniais

Ignorando a diferença
entre o genial e o banal
Os outros, simples mortais,
preferem o falso comodismo
de serem banalmente iguais.


Claudia Fernandes


4 de julho de 2007

terça-feira, 3 de julho de 2007

Revolução X Bomba

O ser humano enlouqueceu
Esqueceu de admirar o mar
Ignora a beleza de um animal
Só pensa em roubar e matar
Assim a tão famosa evolução
Ainda tem muito o que esperar

Por isso, para mim basta!
O povo está num eterno penar
Abaixo essa política nefasta!
Que só faz oprimir e enganar
Calibrem suas vozes, amigos
Pois agora é a vez de protestar

Às vezes penso se seria a saída uma revolução...
Não sei responder.
Outras vezes, penso se seria uma bomba a solução...
Não quero responder.
Desisto de continuar vivendo assim...
Por favor, *parem o mundo que eu quero descer!


Claudia Fernandes


* Música de Raul Seixas.


3 de julho de 2007

Logo eu...

Logo eu que sempre me achei uma pessoa com uma inteligência razoável...
Logo eu que acreditava que era impossível ser enganada com promessas falsas...
Logo eu que costumava ser desconfiada, mantendo sempre o pé atrás...
Logo eu que afirmava que a direita era podre e que a mudança viria com a esquerda no poder...
Logo eu que sempre tive fé que a educação um dia seria prioridade...
Logo eu que sonhava com menos violência e mais igualdade...
Logo eu que insistia em acreditar...
Logo eu que ainda resistia...
Logo eu que...
Logo eu...



Claudia Fernandes



3 de julho de 2007

As cores da vida

A vida é algo misterioso
ontem trouxe melancolia,
amanhã, trará alegria

A vida é como montanha russa
com seus altos e baixos
e sua fina sincronia

A vida pode ter várias cores
um preto e branco de dia
e à noite, uma policromia

A vida sempre será assim
às vezes parece completa
noutras, padece vazia.


Claudia Fernandes


3 de julho de 2007

A quem interessar possa

Como não possuo o dom de adivinhar
o desejo de todas as pessoas do mundo,
resta-me o prazer de dar aquilo
que tenho de mais concreto e fecundo.

Portanto, deixo aqui algo que, em algum momento
de lucidez ou de loucura, fui capaz de fazer.
Ofereço poesia, fotografia e um pouco de mim,
já que tão pouco tenho a oferecer.


Claudia Fernandes


2 de julho de 2007

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Demônios e Paixões

Sinto
que essa angústia em meu peito parece infinita
Pressinto
que toda a paixão existente agora já é passado

Guardei
a esperança de um dia aplacar essa dor maldita
Aguardei
o fim do sofrimento de um coração amargurado

Sem você
eu sou apenas uma metade
Sem você
não sei se ainda quero viver
Sem você
meu mundo está assaz vazio
Sem você
até o ar parece mais escasso

Sem você
soa falso o que era verdade
Sem você
esse coração começou a doer
Sem você
meu quarto está cinza e frio
Sem você
sinto todo o peso do fracasso


É óbvio
que preciso me livrar de todos esses demônios
Está claro
que a vida deve seguir o seu rotineiro caminho

Tenho medo
de que você desapareça e leve uma parte de mim
Estou certa
de que esse amor me condenou a um já breve fim.



Letra e música:
Claudia Fernandes




1 de julho de 2007

domingo, 1 de julho de 2007

Sempre alerta!

Não acredito em tudo o que eu ouço
Tampouco valorizo tudo o que vejo
A mentira seduz pelos dois ouvidos
A ilusão, pelos olhos cegos de desejo

Abro os olhos para auscultar a farsa
Limpo os ouvidos para ver a intenção
Desconfio, a priori, de tudo e de todos
Pois sempre haverá o risco da traição

Não deixo meus ouvidos e meus olhos
Serem escravos de supostas verdades
Liberto-os das garras do convencional
Mostro-lhes o universo das identidades

Aguço meus sentidos para a dúvida
Sendo a dúvida deveras saudável
Já aquela verdade alheia e imposta
Além de traiçoeira é questionável.


Claudia Fernandes




1 de julho de 2007
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