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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Essas dores...

Algo em minha cabeça, hoje, estranhamente dói
devagar, de uma forma assaz diferente
assim, uma estranha dor desconstrói
toda aquela crescente paz aparente

Essa tal indesejada dor ri, caçoa, zomba, tripudia
me invade gloriosa, sem pedir permissão
não está interessada se é noite ou dia
somente se já havia alguma escuridão

Como a dor se mostra conscientemente malvada!
parece que ficará até quando for divertido
criou em minha alma uma triste toada
que soava desafinada ao meu ouvido

Mas finalmente, seu reinado cruel por um fio está
acabei de pedir pelo telefone a minha arma
espero um tempo o mensageiro chamar
engoli várias pílulas e segui meu carma

Adeus dor infame, faça uma viagem e desapareça
sua presença se faz altamente dispensável
quero que meu ser de você se esqueça
e que a sua distância seja irretratável

A dor passou e um sentimento de paz me penetra
mas arrepiei inteiramente da cabeça à raiz
Hã... Esta passagem está em meu nome!
Como, se essa viagem era sua, infeliz!

Foi quando percebi que o destino estava a ironizar
aquilo bolado para ela, veio direto para mim
e em vez dessa dor enfim me abandonar
eu que iria de mala e cuia para o fim.



Claudia Fernandes



1 de novembro de 2007
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