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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Ver no escuro

No escuro, onde a beleza falsa e traiçoeira
hoje tão estereotipada
e produzida artificialmente
não pode mais ser alvo de admiração

um belo pássaro, que conhece a verdadeira
não liga para mais nada
exceto para traduzir o que sente
compondo para ela uma linda canção



Claudia Fernandes




28 de setembro de 2007

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Reaprendendo a viver

Se você se sente triste, deprê
achando que o mundo
não é bonito, está contra você
e pensa que seu buraco já chegou ao fundo

Se nada do que você conhece
faz mais sentido algum
seu corpo nesta vida só padece
e você preferiria ser apenas um ser comum

Olhe para essa pequena flor
olhe sua evidente beleza
ela não demostra nenhuma dor
mesmo com toda fragilidade e delicadeza

Aprenda com o seu sucesso
e suas sábias atitudes:
esquecer defeitos e retrocessos
só lembrar dos progressos e das virtudes

Quando você enfim perceber
que é um ser especial
vai saber como bem se proteger
das armadilhas desse sentimento abismal


Claudia Fernandes


27 de setembro de 2007

domingo, 23 de setembro de 2007

Lá vem o sol... De novo...

E que ele traga
muita energia, vitalidade
e esperança de que amanhã
com mais luz e felicidade
certamente será um dia
com a mesma beleza
mas com mais paz e alegria


O sol deve ser o arauto
que traz a anunciação
de dias bem melhores
de dias com mais gratidão
ele é o senhor da aurora
o anjo que no crepúsculo
joga todas as dores fora


O sol irradia sempre luz
vem de mãos dadas com a manhã
e o amanhã vai se formando
do hoje, irmã, do ontem, anfitrião
sol é sinônimo de novo dia
de novas conquistas, desafios
de encontros e um pouco de utopia...


...para todos nós.



Claudia Fernandes



23 de setembro de 2007

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Sexta-feira

Sexta-feira é dia de noitada
dia de amar
de ser amada
de conversar no bar
dia de ficar animada
de abrir o coração
dia de dar risada
de descolar uma paixão
de abraçar e beijar
dia de libertar a emoção
do abstrato se concretizar
dia de encontrar um amigo
de discordar e brigar
perder a noção do perigo
se arrepender e chorar

Sexta-feira é dia de lazer
dia de tocar e beber
de cantar e dançar
dia de olhar e escolher
de namorar e transar
dia de anoitecer num bar
de ver o dia amanhecer
de tomar banho de mar
dia de morrer e renascer
de dormir e sonhar
dia de com o dia aprender
a ser menos insatisfeito
dia de ao dia agradecer
enfim, o dia perfeito
para se recomeçar a viver.



Claudia Fernandes




21 de setembro de 2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Alma aprisionada

Quanto sofrimento
um ser humano
é capaz de aguentar
depois de bem nascer
com loucura amar
intensamente viver
e com belas fadas aprender a sonhar?

Quanta angústia
por um ser humano
pode ser suportada
se a alma ainda viva
está aprisionada
de forma definitiva
numa moradia destruída e despedaçada?

Quanta esperança
um ser humano
é capaz de conservar
mesmo quando a vida
insiste em lhe abandonar
apontando como saída
a pior e mais difícil decisão a se tomar?

Quantas indagações
assim como estas
um ser humano aflito
poderá enfim responder
sem que surja novo atrito
que então faça crescer
a luta do corpo doente e do livre espírito?


Claudia Fernandes



20 de setembro de 2007

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Aquarelas em flor

Estou sentindo certas coisas
coisas um tanto estranhas
assaz difíceis de confirmar
mas eu vejo, tenho certeza
capto, pressinto, percebo
tanto a feiúra quanto a beleza

Ainda não saberia sustentar
com exatidão o que ocorre
arrepios percorrem a pele
cheiros excitam meu nariz
frio e calor ora se revezam
numa viagem louca mas feliz.

Entretanto, um fato inusitado
traz consigo prós e contras
é contra : quando te julgam
e pensam que você é idiota
e a favor: se você puder ver
uma bela vitória numa derrota

Portanto, a você que me julgar
devo esclarecer o seguinte
enquanto perde seu tempo
com meu pseudo despudor
uso essa loucura viva e real
e assim vejo aquarelas em flor.


Claudia Fernandes




19 de setembro de 2007

domingo, 16 de setembro de 2007

Volátil, o tempo...

A humanidade acredita
que pode comprar tudo
mas está cega
e não vê
que as coisas essenciais
nunca comungam com o ter

Plástica custa dinheiro
carros modernos idem
mas quanto custa
a você
algo tido como precioso
e que lhe dá imenso prazer?

O tempo preenche a vida
e a vida flui junto com ele
mas será possível
convencer
alguém a comprar tempo
para só então fazê-lo crescer?

É óbvio: a resposta é não
o tempo não é acumulado
é uma mera ilusão
querer
aprisionar para sempre algo
livre e que não vai envelhecer


Como você.




Claudia Fernandes




16 de setembro de 2007

sábado, 15 de setembro de 2007

Os dois pólos

Hoje estou tão alegre
com vontade de fazer mil coisas
marco um compromisso
sinto que estou finalmente bem
e fico muito satisfeita com tudo isso

Deito na minha cama
demoro até que consiga relaxar
fantasio nuvens num céu
mas na verdade era eu insone
jazindo neste mui fúnebre mausoléu

Mas enfim amanhece
vejo que não sou mais a mesma
já não estou tão animada
mas melancólica, fria, arredia
sonhando com uma morte anunciada

Até quando isso tudo?
quando acabará meu sofrimento?
não aguento mais o fato
de ser uma certa pessoa hoje
e nem imaginar meu futuro imediato.


Claudia Fernandes



16 de setembro de 2007

O último rincão de pureza

Um amor puro e real existe?
hoje não tenho uma resposta
minha fé, com afinco, insiste
e no sentimento ainda aposta
apesar de bem fraca já estar
procura nas coisas um sinal
mas, enfim, além dos bichos
todo esse amor incondicional
e ausência de fúteis caprichos
onde mais poderei encontrar?


Claudia Fernandes


15 de setembro de 2007

Sombras de dúvida

O sol já nasceu, o dia já começou,
por que estou vendo tudo tão escuro?
Não consigo enxergar o céu, o mar
só as nuvens e um clima obscuro

Pessoas afirmam que são honestas
por que só conheço seu lado impuro?
Tentei, não nego, mudar de opinião
agora estou definitivamente seguro

Pessoas são ótimas quando surdas
não ouvem o que não querem
logo são sempre cordiais
simpáticas e amigas

Pessoas são ótimas quando mudas
não falam o que não devem
e assim aliviam os demais
de mágoas e brigas

Pessoas são ótimas quando cegas
mal e terror não percebem
sonham com imagens ideais
sem dor e intrigas

Durante um longo tempo, busquei
o tal lado bom do ser humano
que tanta gente diz possuir
ou que um dia já conheceu
hoje, com pesar, vejo que falhei
e depois de um estudo mundano
chego a uma triste conclusão
que o cego talvez seja eu.


Claudia Fernandes



15 de setembro de 2007

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Mensagem da noite

E chega a noite, mais uma vez
com silêncio, sombras e aconchego
a ansiedade dá uma trégua, talvez
e depois de longo dia sem sossego
sinto a sua chegada como um evento

Mas hoje ela veio acompanhada
parecia mais triste, melancólica
o céu mais negro, ela mais gelada
utilizava uma linguagem simbólica
entretanto de fácil discernimento

Hoje ela veio com o seu pranto
molhar com lágrimas a seca terra
e assim, através de seu encanto
com toda classe, declarar guerra
aos homens e seu atabalhoamento



Claudia Fernandes


13 de setembro de 2007

Tudo ou nada

Lá, bem ao longe
vejo um horizonte
bem lá na frente
avisto um monte
cruzo uma ponte
enxergo uma fonte
nada tão inusitado
nada tão permanente

Lá, bem ao longe
penso ver a saída
bem lá na frente
pareço perdida
destruo a vida
procuro acolhida
tudo muito profano
tudo muito decadente

Lá, bem ao longe
vejo só desencanto
bem lá na frente
seco meu pranto
xingo meu santo
desvelo meu manto
tudo nada sagrado
tudo nada inocente



Claudia Fernandes



13 de setembro de 2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Luz etílica

Quatro horas da manhã
eu deitada, na cama, ainda sem sono, me indago
um velho cobertor de lã
e um travesseiro antigo entre as pernas eu afago

Assim, tenho pensamentos
que por alguns seriam considerados indecentes
mas em certos momentos
tidos como altamente infantis, puros, inocentes

Mais uma vez, o senhor dia
esse ser iluminado, insiste em demorar a chegar
quando o que eu mais queria
era ter o prazer de, à noitinha, com ele encontrar

Já que esse meu anseio
se mostra completamente impossível de se realizar
decido fazer um passeio
entre a realidade luzidia e a escuridão etílico-lunar.


Claudia Fernandes


10 de setembro de 2007

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Branco, branco

O branco deixa tudo mais claro
torna tudo bem mais visível
aos olhos daquele que vê

O branco ilumina os ambientes
é sempre o símbolo da paz
busca neutralizar a deprê

O branco é a ausência de cores
mas a presença da luz guia
que aponta um caminho

O branco parece com alva neve
mas possui o bendito poder
de acalentar o frio ninho

O branco seria apenas uma cor
se não fosse a única forma
de se revelar o ser oculto

O branco seria apenas uma cor
se não fosse para o escuro
um indesculpável insulto.


Claudia Fernandes



04 de setembro de 2007
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