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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

domingo, 5 de agosto de 2007

Certas incertezas

Essa vida é um caminho
perigosamente traiçoeiro
ela nos guia por estradas
aparentemente seguras
mas que, na realidade,
são exatamente o inverso
podem nos conduzir
a lugares bem aconchegantes
ou até nos ajudar a cair
em gigantescos precipícios
feitas de um asfalto bom
e de qualidade impecável
ou apenas de mil buracos
e um perigo condenável

Essa traição se declara abertamente,
sem dó, a todo momento
Logo quando aflora a crença
de estarmos numa estrada calma
e a alma experimenta a sensação
de relaxamento e paz, enfim
assim, de repente, todos os percalços
parecem ocorrer de vez
tudo de negativo resolve acontecer
ao mesmo tempo e agora
talvez para mostrar que a paz
é essa ilusão impalpável e bela
e que devemos nos acostumar
a viver sem contar muito com ela.



Claudia Fernandes



05 de agosto de 2007
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