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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Medo do mesmo

Sou uma pessoa essencialmente contemplativa.
Vivo pensando, refletindo, enxergando além...
Procurando desculpas para justificar rodeios
Às vezes isso me faz bem,
outras nem tanto.
E um tema que é sempre recorrente em meus devaneios
(espero eu que seja só por enquanto)
é a natural, mas temerosa velhice.
Essa entidade que insiste em me intrigar e me amedrontar,
mas que, sem cerimônia, ali na frente, parece despontar
subliminarmente, discretamente, sem a menor pieguice.

Depois de uma sequência de elucubrações febris
consequência talvez, creio eu, de rara epifania
cheguei a uma conclusão que serviu de terapia
ou mesmo de consolo para meu medo infeliz
A velhice não me apavora pelas rugas que ela traz
nem pela inegável proximidade com a morte
o que me leva a um estado de melancolia voraz
é ter a consciência de que cada dia vivido com lucidez
paradoxalmente, faz diminuir, em quantidade
as chances de experimentar algo novo pela primeira vez.



Claudia Fernandes



7 de agosto de 2007
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