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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

A cor nos teus olhos

Ele passeava distraído pela rua
registrando o mundo através de um filtro frio
com a alma triste e nua
ia cabisbaixo e até melancólico
só conseguia captar tudo cinza e vazio
e nada em sua vida parecia tão belo ou bucólico

Logo quando virou aquela esquina
testemunhou uma vistosa flor vermelha brotar
bem ali, bela e pequenina
e de repente, como num chiste
percebeu que, para quem aprendeu a enxergar,
até no mais puro preto ou branco, alguma cor (r)existe.



Claudia Fernandes



22 de agosto de 2007
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