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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Dúvida de uma existência

Aqui estou eu transitiva
direta ou indireta
mas de volta, enfim
aqui estou eu bem viva
depois de adubar meu único jardim

Precisei viver um momento
cronológico, existencial
despida de toda fantasia
cheguei a sentir o poder do vento
mas optei pela calmaria da brisa fria

Refleti e busquei sabedoria
bem lá dentro do meu eu
aprendi a viver ainda mais
sem angústia, nem melancolia
sentada, em paz, na beira do cais

Por um desses acasos da vida
agora e mais do que nunca
acordei de um sono paralisante
abdiquei daquela tristeza adunca
e fiz do equilíbrio meu guia dominante

A única dúvida que me resta
(e como é complicada e cruel)
é se acabo com a garrafa de gim
se leio um livro, se fito o céu
ou se me preparo para o fim.


Claudia Fernandes



3 de agosto de 2007.
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