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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Epitáfios a lápis

Ele sentou no cais ao pôr-do-sol
olhou triste para o mar e pensou
como poderia sentir aquilo
vendo aquele lindo arrebol

Só, pôs as mãos no rosto e chorou
percebendo a sua oblíqua verdade
de toda uma vida pregressa
apenas mediocridade restou

O que poderia ele um dia escrever
a respeito de sua tão insípida vida
nada de muito significativo
há em seu entediante viver

Ali, absorto, refletiu por horas a fio
apenas o mar e o céu presenciaram
a lágrima que foi derramada
por cada memória que surgiu

Assim, chegou à extrema conclusão
de que haverá enfim algo a declarar
somente no seu cru epitáfio
na alva lápide de seu caixão

As palavras que certamente usaria:
"Não escreva seu epitáfio de caneta
deixe-o aberto para mudanças
para o livre lápis da sabedoria"


Claudia Fernandes



8 de agosto de 2007
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