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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Luz etílica

Quatro horas da manhã
eu deitada, na cama, ainda sem sono, me indago
um velho cobertor de lã
e um travesseiro antigo entre as pernas eu afago

Assim, tenho pensamentos
que por alguns seriam considerados indecentes
mas em certos momentos
tidos como altamente infantis, puros, inocentes

Mais uma vez, o senhor dia
esse ser iluminado, insiste em demorar a chegar
quando o que eu mais queria
era ter o prazer de, à noitinha, com ele encontrar

Já que esse meu anseio
se mostra completamente impossível de se realizar
decido fazer um passeio
entre a realidade luzidia e a escuridão etílico-lunar.


Claudia Fernandes


10 de setembro de 2007
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