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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

domingo, 10 de junho de 2007

Desconfiança justificada

Terêncio, corre aqui na cozinha, ômi!
Que ocê qué, muié, cum tanta pressa?
É prá ver se ocê num some
E vai correno pro buteco do Zé
Prá ficá lá só no tre-le-lé.

Qué isso, Cremilda, mas que desconjuro!
Como ocê pode sê tão cruel e injusta?
Fiquei prucupado cocê e cos fio, no duro!
Eu tava ino era na venda do Nhô Bento
Prá trabalhar e fiar algum alimento.

Ai, Terêncio, me adesculpe, que balela
Tô sem graça agora, nem sei o que dizê
Vai logo, ômi, que vou esperar na janela
Assim, quando ocê chegar, corro para fazê
O que ocê come até a cuia lambê.

O Terêncio realmente foi à venda do Bento
Não foi fiar comida para sua pobre família
Mas foi, na cara dura, pedir um adiantamento
Tomou um ônibus e o sertão deixou para trás
Para aquela vida não voltaria nunca mais.


Claudia Fernandes



10 de junho de 2007
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