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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

quarta-feira, 6 de junho de 2007

A Fonte

A fonte era farta, generosa, abundante,
para todos aqueles que a ela recorriam
e assim servia de amparo constante
entretanto nada em troca eles traziam

A surpresa foi grande quando num belo dia
ele se aproximou da fonte e percebeu
um fato inesperado, que lhe tirou a alegria
a fonte estava lá mas nenhuma água bebeu

E se perguntou o que teria acontecido
o dia anterior tanta água por lá corria
voltou para casa com o coração partido
sem ao menos perceber sua co-autoria

Aquela fonte farta e abundante de outrora
hoje está seca, esgotou-se, não mais existe
por servir apenas pela água limpa, agora
já não importa mais, e ele, enfim, desiste.


Claudia Fernandes




6 de julho de 2007
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