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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

terça-feira, 19 de junho de 2007

Eternamente, o Tempo

Tempo...
Palavra de ambíguas definições,
de incompletas adjetivações,
de infinito significado.

O Tempo adora brincar de forma dualista,
está sempre presente,
e desaparece de repente, sem deixar pista.

O Tempo é um hábil mestre do disfarce,
sabe ser impiedoso,
mas sabe solucionar um difícil impasse.

O Tempo é algo tão real, vivo, patente,
e ao mesmo tempo,
tão relativo, efêmero, volátil, reticente.

O Tempo às vezes anda calmo, displicente,
dando à vida
a aparência de eterna, lenta, indolente.

O Tempo também pode passar bem veloz,
fazer você dormir jovem,
e acordar velho, arrependido ou sem voz.

O Tempo pode refletir o claro, belo, quente,
e dessa forma,
transmitir uma idéia de alegria e vida latente.

O Tempo ainda pode se mostrar escuro e frio,
e assim,
influenciar num clima deprimente e sombrio.

O Tempo pode ser seu mais fiel companheiro
quando aos 15 anos,
você espera ter 18, e assim ser um beijoqueiro.

O Tempo, por outro lado, pode ser implacável,
quando aos 80 anos,
você se olha no espelho e percebe o inexorável.

O Tempo é assim, incomparável
e dependendo do momento,
pode ser odiado ou bem quisto.

Ele é naturalmente indefinível
e misteriosamente presente
sem nunca ao menos ser visto.


Claudia Fernandes



19 de junho de 2007
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