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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

terça-feira, 5 de junho de 2007

Deus ex machina

Apenas gritos, raiva, aflição
Nunca terminará esse inferno
Seus parentes jamais se entenderão
A vida será sempre esse caos eterno

Na sua própria casa, vive sozinho
Não ouve música, nem dorme mais
Sente-se como um estranho no ninho
Inserido num mundo que só mal lhe traz

Tem dores de cabeça malditas
Precisa de silêncio, de sono noturno
Na sala, brigas patéticas e infinitas
No quarto, só um pensamento soturno

Será que nunca terá paz de espírito?
Nunca colocará a cabeça no travesseiro?
Um dia respirará aliviado e não mais aflito?
Um dia poderá viver livre e por inteiro?


Claudia Fernandes




5 de junho de 2007
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