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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

domingo, 2 de dezembro de 2007

Meu universo particular

Minha visão já não parece a mesma
entro numa nova e insana dimensão
meus sentidos começam a se alterar
um universo paralelo entra em ação

Uma força estranha invade e domina
sinto uma leve sensação de liberdade
e a essência guardada no mais íntimo
é enviada intacta a essa tal realidade

Afinal de contas, não é um belo poder
uma reles e vil mortal(assim como eu)
conseguir, de vez em quando, abstrair
a realidade rasteira e atingir o apogeu?

Sinto-me tão bem e só o prazer existe
numa ocasião em que já não há dilema
raro é o que se sente ao amar um anjo
força que transita da suave à extrema

Estando além desse portal, tudo é vivo
bem mais vivo do que desse lado de cá
o belo é mais belo, o amor é mais amor
daquele jeitinho especial fácil de viciar

Eis sem pudores, minha pura confissão
aqui desvelo esse tão precioso segredo
sou viciada nessas sensações alteradas
e a dopamina que já domina meu medo

Quando me verto a esse novo universo
sinto poder em minhas mãos, sou forte
tenho asas prontas para voar, sou livre
voltar da viagem é que é a quase morte.



Claudia Fernandes




2 de dezembro de 2007.
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