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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Demônios e Paixões

Sinto
que essa angústia em meu peito parece infinita
Pressinto
que toda a paixão existente agora já é passado

Guardei
a esperança de um dia aplacar essa dor maldita
Aguardei
o fim do sofrimento de um coração amargurado

Sem você
eu sou apenas uma metade
Sem você
não sei se ainda quero viver
Sem você
meu mundo está assaz vazio
Sem você
até o ar parece mais escasso

Sem você
soa falso o que era verdade
Sem você
esse coração começou a doer
Sem você
meu quarto está cinza e frio
Sem você
sinto todo o peso do fracasso


É óbvio
que preciso me livrar de todos esses demônios
Está claro
que a vida deve seguir o seu rotineiro caminho

Tenho medo
de que você desapareça e leve uma parte de mim
Estou certa
de que esse amor me condenou a um já breve fim.



Letra e música:
Claudia Fernandes




1 de julho de 2007
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