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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sua alma, seu lar


Tem dias em que seria uma bênção poder não falar.
Poder ficar quieta, num cantinho escuro
apenas com uma companhia:
o velho e bom lar.

Nestes dias, sua casa fica fechada.
Não está aberta à visitação.
Seu jardim está meio seco,
sem verde nem floração.

Um vazio existencial preenche essa casa
Uma pitada de desânimo,
um pouco de desalento
Como se alguém, de repente, cortasse sua asa.

É um pesadelo para quem se considera livre
Perceber que agora não pode voar
Que passou a ser uma mera prisioneira
Mas o que fazer se sua alma é o seu lar?

Por sorte, esses dias sombrios costumam durar pouco.
Logo o sol aparece, a vida desabrocha
E essa alma, já com a asa colada
Volta mais uma vez, guerreira, para esse mundo louco.




Claudia Pinelli  Fernandes.




Em 08 de janeiro de 2014.
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