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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

domingo, 10 de janeiro de 2016

Zumbido

Que barulho estranho é esse em meu ouvido?
Parece um entediante canto gregoriano
Ou o som que vem de uma concha do mar
Será um canal aberto para o outro plano?
Ou será a loucura a me tomar?
Por que não para um pouco, caro zumbido?
O seu soar ininterrupto me tortura
Não estou com a menor condição de suportar
Algo que ajude a maximizar a minha amargura
O que tenho que fazer, me matar?
Não, não responda!
Afinal, você não pode me ouvir
Já que não cessa um segundo de retumbar
Mas um momento final há de vir
Em que deixarei de lhe escutar.
Um dia hei de conseguir
Calar esse som impossível de aguentar
Presa num hospício ou num túmulo, não importa
Estarei pronta e livre para voar
De alguma forma: louca ou morta.


Claudia Pinelli Fernandes.


Em 10 de janeiro de 2016.
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