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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

sábado, 7 de maio de 2016

Cada um com seu fardo

Quando você estava em paz
Na alegria dos dias ensolarados
Eu vivia meus mais sombrios momentos
Na escuridão, sozinha, sem saída
Com a única companhia fria dos meus tormentos
A sombra da dor infinita e do torpor me acompanhavam
O sono era raro, quase inexistente
As lágrimas dos meus olhos insistentemente rolavam
Lembrando-me de que nada satisfazia realmente
Tantos dias embalada apenas pela tristeza
Ninada por um profundo desejo de desaparecer
Onde a morte parecia algo bem próximo e real, tinha certeza
Salva pelo simples fato de ter você.
Hoje, pelo menos, nesse exato instante
(Porque não dá para falar em futuro)
A paz finalmente chegou para mim
Por favor, não me bendiga
Cada um com seu fardo
Cada um com seu começo, meio e fim.


Claudia Pinelli Fernandes.


Em 7 de maio de 2016.
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