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Senti necessidade de me expressar de outra forma que não através da música e da fotografia, antigas paixões. E foi uma surpresa quando vi que a matéria-prima com que trabalho há tanto tempo, a linguagem, poderia me dar a tábua de salvação expressiva de que eu tanto precisava e que tem me ajudado muito nos meus melhores e piores momentos, a poesia.

Vou listar aqui algumas dessas minhas tentativas de escrever poemas, cronologicamente. Todos os textos são de minha autoria. Mas como até meu romantismo é extremo, você não encontrará aqui poemas românticos nem melosos. São mais humanistas e existenciais, e como tudo ligado à existência, podem, eventualmente, demonstrar algum peso e pessimismo. Não tenho pretensão outra a não ser expressar minhas dores, loucuras, alegrias, dúvidas, angústias, revoltas e outros sentimentos que moram em mim.

Claudia Pinelli Baraúna Rêgo Fernandes®

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"Se eu ler algo e ele fizer meu corpo inteiro gelar, de uma forma que não haja fogo que possa me aquecer, eu sei que se trata de Poesia."



Emily Dickinson

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Do Sertão ao Litoral

Estava pegando a estrada do Sertão
Por um momento sentia frio no calor
Salvador era a minha incerta direção
Será que iria encontrar o meu amor?

O céu era belo, claro, nublado e azul
Parecia que queria me sussurrar algo
A paisagem, os cactos, o rio e o teiú
Conflitos entre o servo e seu fidalgo.

Não ouvia bem o que me murmurava
Aquilo soava tão distante, até difuso
A tristeza vinha, me fazia de escrava
E meu mundo ficava deveras confuso

Referia-se, então, o imponente céu
Ao amor que não seria correspondido
Ou à realidade deturpada num painel
Deste país cada dia mais esquecido?

Acabei a viagem e acho que descobri
O que afinal o céu, inquieto, me dizia
Falava ele sobre o amor que não vivi
Ou um alô para acordar a cidadania?

O meu amor já não morava mais aqui
Já um tempo mudado de cidade havia
Aquele amigo céu tentava me prevenir
E agora um infeliz vazio em mim jazia!

Agarro-me a outra hipótese suscitada
As novas viagens nunca serão iguais
Um novo olhar, uma atenção apurada
E a partir daí, a tola alienação jamais!





Claudia Fernandes.




06 de abril de 2010.
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